quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Espetáculo sobre Clarice Lispector faz estreia nacional em Curitiba

"Clarice e eu. O mundo não é chato" é uma adaptação para o teatro de textos de Clarice Lispector, feita por Rita Elmôr. Textos autorais da atriz também são inseridos ao longo da peça. Inicialmente, a atriz conta como iniciou a carreira interpretando Clarice Lispector em um monólogo, e como as suas fotos têm sido, até os dias de hoje, constantemente confundidas com as fotos da escritora, chegando mesmo a estampar capas de revistas especializadas em literatura. O espetáculo será apresentado em Curitiba nos dias 7 e 8 de novembro no Teatro Bom Jesus e os ingressos já estão disponíveis no site www.diskingressos.com.br.
De forma quase imperceptível, o texto da atriz funde-se aos textos da escritora, e o fato inusitado da imagem de uma ser confundida com a imagem da outra se reproduz no plano linguístico. A adaptação priorizou os textos em que Clarice revela, com seu humor inteligente, maneiras mais criativas de levar a vida. Em nenhum momento a vemos falar sobre literatura ou sobre suas angústias existenciais. O recorte escolhido foi o do comportamento humano diante de situações constrangedoras e engraçadas.
É uma peça leve, que afirma a vida e causa boas reflexões. A intenção desse espetáculo, além de ressaltar a faceta mais engraçada de Clarice Lispector, ainda pouco explorada, é a de transmitir alegria de viver com as pequenas coisas.

Sobre o processo - Em 1998 a atriz Rita Elmôr fez um monólogo com textos de Clarice Lispector intitulado "Que Mistérios Têm Clarice,” que privilegiou o processo de criação da escritora.  Nesse espetáculo, que foi a primeira peça profissional de sua carreira, ela foi indicada para o prêmio Shell.
Dezessete anos depois surgiu a ideia de remontar o espetáculo, e com essa reaproximação aos textos de Clarice Lispector, ficou claro que um outro recorte da obra da autora se tornara o caminho.
A ideia agora foi utilizar como base da encenação o livro de crônicas "A Descoberta do Mundo”. As crônicas, originalmente publicadas aos sábados no Jornal do Brasil, tratava de assuntos diversos. Ela discutia acontecimentos de uma época de grande efervescência cultural (1969 a 1973) e filosofava sobre a existência, mas também escrevia sobre temas prosaicos que observava em seu cotidiano. O relato da atriz sobre a sua experiência na primeira montagem serve como ponto de partida para uma nova tradução de Clarice.
Na peça “Que Mistérios têm Clarice”, a caracterização física da intérprete e a biografia da escritora eram pontos marcantes. Agora o caminho é outro, o tema da nova montagem é o amor, a afirmação da vida. A atriz e a autora se misturam em suas experiências, deixando o espectador atento para captar o olhar generoso e agudo de Clarice.

Indicadas para maiores de 12 anos, as encenações da peça "Clarice e Eu. O Mundo Não é Chato" têm ingressos custando R$ 80,00 e R$ 40,00 (meia), + R$ 6,00 de taxa administrativa. Mais informações: 3273-1200 e 9611-5622 ou www.diskingressos.com.br.
  
Ficha técnica

Texto: Clarice Lispector
Adaptação: Rita Elmôr
Elenco: Rita Elmôr
Direção: Rubens Camelo
Produção: Oxigene Cultural
Figurino: Mel Akerman
Cenário e Iluminação: Paulo Denizot
Assessoria de imprensa: Diogo Cavazotti Comunicação
Realização: Oxigene Cultural.
Parceiros: Doc Brazil, Claure Comunicação, Aladdin.

Apoiadores: Piola, Hotel Centro Europeu, Mezanino das Artes, Lugana Tratoria.

Mauro Zanatta calça as chuteiras e arma a jogada em “5 Vira 10”

Futebol é o tema do novo espetáculo solo, do ator e diretor Mauro Zanatta. “5 Vira 10” evoca o clima esfuziante dos grandes eventos futebolísticos, com suas estrelas, massas de torcedores, estádios modernos, holofotes da mídia e muito interesse econômico e político. A apresentação acontece nesta quinta-feira (5), às 20h, no Guairão, com ingressos custando R$ 100,00 e R$ 50,00 (meia).
Mas antes de ser um esporte profissional, altamente técnico e showbiz, o futebol é um jogo. E como todo jogo, propõe presença, criatividade, companheirismo e superação de desafios. O futebol também tem sabor de infância, evoca a época dos campinhos de terra batida, das traves improvisadas com gravetos e da ambicionada bola de capotão.
O espetáculo é protagonizado por Mauro Zanatta e dirigido por Ana Paula Mello Peixoto. “5 Vira 10” propõe reflexão sobre as paixões que arrebatam e sobre o papel de cada um no atual cenário social brasileiro. É também um convite para que o torcedor resgate o espírito de peladeiro. A montagem é promovida pela Escola do Ator Cômico.

Mais informações: 3315-0808 ou www.diskingressos.com.br.

Biblioteca Pública abre mostra de textos poéticos sobre cultura negra

A partir desta quarta-feira (4), a Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, recebe a mostra “Consciência Negra - Nossos Passos Vêm de Longe...”, idealizada pelo Centro Cultural Humaita - Centro de Estudo e Pesquisa da Arte e Cultura Afrobrasileira. A exposição fica aberta ao público até dia 4 de dezembro.
A abertura da exposição será às 18h, no hall do 2º andar da biblioteca. No mesmo espaço, será realizado, no dia 26 de novembro, a partir das 18h30, um sarau poético e o lançamento do livro “Almas das Ruas: Crônica Para a Alma Negra Curitibana”. O livro faz parte da Coleção Oralidades Afroparanaenses, que já lançou outros dois títulos. Os eventos são gratuitos e fazem parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
A exposição “Consciência Negra - Nossos Passos Vêm de Longe...” traz painéis com textos poéticos que transcrevem fatos históricos relacionados à cultura negra. O objetivo da mostra, segundo os organizadores, é valorizar e dar visibilidade à presença negra no Estado e às relevantes contribuições do povo afro no desenvolvimento do Paraná - segundo o IBGE, o Estado com maior número de negros do Sul do Brasil.
Mais informações: 3221-4917.

Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba começa nesta quinta-feira

O Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba (FICBIC) acontece este ano dentro da programação da Bienal e vai levar ao público mais de 140 filmes em cinco mostras: Panorama do Cinema Mundial, Panorama do Cinema Brasileiro, Cinema em Retrospectiva, a mostra infanto-juvenil Universo Z e o Circuito Universitário, que contempla produções de estudantes que foram selecionados por júri convidado. O FICBIC acontece entre os dias 5 e 14 de novembro com exibições no Espaço Itaú de Cinemas, Cine Guarani, Cinemateca de Curitiba, Sesi Portão, Sesc Paço da Liberdade, Espaço FIEP, MIS – Auditório Brasílio Itiberê, Colégio Estadual do Paraná, Instituto de Educação, além da mostra itinerária que vai levar filmes a diversos pontos do Paraná. O filme de abertura do FICBIC é “O Clã”, do cineasta homenageado Pablo Trapero vencedor do Leão de Prata 2015 em Veneza, e será exibido simultaneamente em três salas do Espaço Itaú de Cinemas no dia 5 às 20h. Toda a programação do festival é gratuita.
Apresentado pela Petrobras, o FICBIC tem a curadoria assinada pela doutora em audiovisual Denize Araújo e do jornalista Paulo Camargo. O festival acompanha o tema da Bienal “Luz do Mundo” e propõe uma trilogia da luz: a luz da câmera, a luz do olhar do cineasta e o olho-luz do espectador. Nas mostras principais Panorama do Cinema Mundial e Panorama do Cinema Brasileiro, os curadores buscaram explorar a riqueza, diversidade e ineditismo dos títulos. “Os longas e curtas das mostras principais pretendem descortinar um cenário contemporâneo de enfoques e pontos de vista diferenciados, com filmes inéditos em Curitiba e premiados em festivais internacionais com perfis e parâmetros distintos”, explica Denize.
Entre os destaques das mostras principais, está o premiadíssimo “O Grande Mestre”, de Wong Kar-Wai, considerado o melhor filme do Festival de Hong Kong 2014, vencedor de 55 prêmios, além de ter sido indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e fotografia, e o filme nacional “Ato, Atalho e Vento”, de Marcelo Masagão, que conta com uma edição de quase 5 mil cortes, mais de 2 mil atores e 5.041 locações em 722 cidades. “O filme possibilita uma experiência estética totalmente diferenciada, apresentando uma colagem visual e intertextual que desafia o repertório audiovisual do espectador”, comenta o curador Paulo Camargo.
O FICBIC 2015 homenageia com a mostra Cinema em Retrospectiva o diretor Pablo Trapero, expoente do chamado Novo Cinema Argentino, que emergiu em meados da década de 1990 e se impôs como um dos mais vigorosos e instigantes no cenário internacional. Dentre os filmes, está o aclamado “Leonera”, representante da Argentina no Oscar, Cannes e diversos festivais e aborda a maternidade dentro de sistemas carcerários. “A retrospectiva de Trapero oferece um novo olhar, iluminando novamente sua tão significativa cinematografia e convidando o espectador a refletir sobre sua trajetória e suas construções de mundos e personagens, que ultrapassam seu país de origem para constituírem panoramas internacionais”, enfatiza a curadora Denize.
Com curadoria de Aristeu Araújo e Mariana Bernal, a mostra Universo Z traz filmes que refletem a nova geração infanto-juvenil, tanto nas formas plurais, como nos temas e propostas amplamente diversas entre si. “Depois da Geração Y, que já rendeu tantos estudos e debates, é a vez da Geração Z tornar-se protagonista. Formada pelas crianças e adolescentes de hoje, trata-se de uma parcela da população que nasceu e cresceu com a internet presente em suas vidas, com a hiperconectividade como algo dado”, explica o curador Aristeu Araújo. Um dos destaques da mostra é o longa “Até que a Sbórnia nos Separe”, que nos fala sobre transformações culturais e globalização sob um prisma diferente.
Pensado para levar as produções de novos realizadores às telas, o Circuito Universitário reúne uma grande diversidade de obras, formatos e temas. Dentro do circuito, o carro chefe é a Mostra Universitária Competitiva, com exibição de 22 filmes entre ficções, documentários e experimentais pela curadoria dos convidados convidadas Denise Soares, Nathália Tereza e Josiane Orvatich. Dividida em ficção, documentário e experimental, um premiado de cada categoria ganha um curso na New York Film Academy, nos Estados Unidos. O Circuito ainda conta com as mostras não-competitivas Mostra o Teu que Eu Mostro o Meu, uma exibição dedicada às realizações dos alunos do curso de Cinema e Vídeo da FAP/ UNESPAR, o Projeto Cine Egresso, com três curtas-metragens que contaram com a direção de arte de Alex Rocca, a Mostra UTP, que exibe filmes dos estudantes de pós-graduação em cinema da Universidade Tuiuti do Paraná e, por fim, uma amostra dos trabalhos realizados pelos alunos do Curso de Cinema do Centro Europeu.

Sobre os curadores do FICBIC

PAULO CAMARGO é jornalista e professor dos cursos de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e do Centro Universitário UniBrasil. Também leciona em cursos de pós-graduação da PUCPR e da Universidade Tuiuti do Paraná, onde é doutorando no programa de Comunicação e Linguagens.
DENIZE ARAUJO é coordenadora da Pós em Cinema e Docente do Mestrado e Doutorado da UTP – Universidade Tuiuti do Paraná, na linha de Cinema e Audiovisual. É diretora do Clipagem – Centro de Cultura Contemporânea. É membro do International Council, do Publishing e do Scholarly Review Committee, além de vice-coordenadora do GT Visual Culture da IAMCR.

A programação completa está disponível no site do FICBIC.

Patrocínio - A Bienal Internacional de Curitiba 2015 é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (Lei Rouanet). Esta edição é apresentada pela Petrobras e conta com o patrocínio da UEG Araucária, do BNDES, Sanepar, Copel e BRDE. Tem copatrocínio da Barigui Financeira. Tem o apoio da AVEC, Instituto Cervantes, SESC, SESI e o apoio internacional da Fundação Japão, Consulado Geral do Japão em Curitiba, Embaixada da Argentina, Consulado da Argentina em Curitiba, Instituto Goethe, Consulado Geral da Itália em Curitiba, Instituto Italiano de Cultura, Embaixada da França, Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales e New York Film Academy.




Documentário revela luta de benzedeiras pelo reconhecimento

Conhecimentos tradicionais, segredos das plantas medicinais, crença e muita vontade de cuidar do próximo. Estes são alguns dos ingredientes que compõem a saga humana das benzedeiras, realidade de um Brasil profundo que resiste até o presente. A partir do retrato de um grupo de mulheres do interior do Paraná que exerce esta prática, o documentário em curta metragem "Benzedeiras - Ofício Tradicional" revela a saga humana que se repete em muitos rincões do país. A produção foi viabilizada pela Fundação Cultural de Curitiba, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com incentivo da Caixa Cultural Curitiba.
Com roteiro e direção da cineasta, pesquisadora e professora Lia Marchi, especialista em cultura popular, e produção da Olaria Projetos de Arte e Educação, o filme já pode ser visto na internet com acesso através de www.youtube.com/olariacultural.com.br.
Na quinta-feira (5), às 19h, acontece o lançamento na Universidade Federal do Paraná, no Anfiteatro 100, 1º andar do Edifício Dom Pedro I. O encontro terá a presença da autora da obra e também de três das benzedeiras retratadas no filme – Agda de Andrade Cavalheiro, Eugenia Ferreira e Ana Maria dos Santos. Após a exibição, ocorrerá um bate-papo com o público sobre a produção.
Longe das capitais e dos grandes centros urbanos, onde por muito tempo médicos e postos de saúde eram raros, pessoas que se dedicam a ajudar e curar outras com o auxílio de chás, pomadas, infusões e muita fé, traziam uma alternativa. Em seus 24 minutos de duração, este documentário mostra o trabalho de um grupo de mulheres dedicadas a esta missão. Com imagens poéticas e olhar que consegue se aproximar muito ao universo retratado, o filme revela a luta delas pelo reconhecimento de seu ofício, dando voz às protagonistas deste processo.
Por meio de depoimentos e cenas do cotidiano das benzedeiras, o filme mostra detalhes das práticas realizadas por um grupo de mulheres da região de Rebouças e São João do Triunfo, a cerca de 200 quilômetros de Curitiba. A relação delas com a terra e seus frutos – raízes, cipós, folhas e demais "remédios do mato" – se dá numa área de terras comunitárias, cultivadas e cuidadas de maneira cooperativa. A partir daí, o filme mostra o processo de organização das benzedeiras e, com o apoio do Movimento Aprendizes da Sabedoria, a conquista do reconhecimento.
Esta trajetória iniciou em 2008, com a realização do I Encontro Regional de Rezadeiras, curadores e costureiras de machucaduras de cidades do centro sul do Paraná, organizado pelo Movimento. No ano seguinte, um mapeamento indicou a existência de 294 detentores de ofícios tradicionais de cura na região. Em 2010, a Câmara Municipal de Rebouças aprovou a Lei nº 1401, que reconhece os conhecimentos das benzedeiras como oficio tradicional de saúde popular. Ficou oficializado, assim, o reconhecimento da importância do trabalho delas para a saúde pública, garantindo-lhes o direito de exercerem seus saberes e o livre acesso à coleta de plantas medicinais nativas. Nas cenas finais, as benzedeiras exibem felizes suas carteirinhas que garantem a conquista.

SOBRE O FILME

Com uma extensa produção cultural focada na cultura popular, Lia Marchi conheceu as personagens deste documentário em 2011, num evento realizado pelo Iphan em Curitiba. Depois deste dia foram muitas visitas à região de onde elas vieram, muitas conversas e, por fim, o projeto e a gravação do filme. A obra foi rodada em 2015.
"Nos tempos idos, em que médico não existia perto, as benzedeiras e os benzedores foram médicos, psicólogos, enfermeiros, confidentes, amigos. Foram – e são – cura para males que podem estar numa gama que vai da bicheira à depressão, passando por machucaduras, inflamações, quebrantes, até o famoso 'ar'", conta Lia. "Foi neste percurso de singularidades, das vidas privadas destas mulheres, das particularidades de cada mazela que afligia um doente ou outro que eu vi, em cada uma delas, o sentido da comunidade, do indivíduo partilhando sua vivência com a história da coletividade".
Conforme Lia, elas passaram por uma trajetória de "resignação e luta, misturadas com a alquimia destas mulheres e homens que souberam lidar com o preconceito, com o medo, com a desinformação". Foram, sintetiza a pesquisadora e cineasta, protagonistas de um milagre humano.
O Movimento Aprendizes da Sabedoria mostrou-se uma ferramenta de grande importância para o futuro das benzedeiras e benzedores da região, prossegue Lia. "Ao mesmo tempo em que trouxe um reconhecimento externo aos saberes e fazeres destas pessoas, trouxe também algo de fundamental para a vida de cada uma delas: o entendimento de seu próprio valor, a certeza de que sua cultura e sua tradição têm lugar no mundo e o sentido de que suas práticas vão para além de suas vidas".

SOBRE A DIRETORA E PRODUTORA

Lia Marchi é cineasta, pesquisadora, professora e produtora. Iniciou carreira artística em 1990, como produtora cultural e atriz. A partir de 1998 cria e coordena o projeto Tocadores, que editou livros e filmes focados nos músicos da cultura popular, em diversas regiões do país e também em Portugal. Fundou em 1999 a Olaria Projetos de Arte e Educação, onde atua como diretora artística coordenando a realização de diversos projetos.
Há mais de 15 anos se dedica a pesquisa e divulgação das culturas tradicionais e populares, especialmente do Brasil e de Portugal. Em seus livros e filmes, aborda o rico universo das comunidades tradicionais e dos sons e sentidos das culturas locais. Atualmente divide seu tempo entre a pesquisa musical, a realização de documentários e oficinas para diversos públicos.
É autora de onze documentários e quatro livros, entre outros produtos culturais, como exposições, seminários e cursos.

Exposição no MuMA reúne imagens e objetos impressos em 3D

O MuMA - Museu Municipal de Arte inaugura nesta quinta-feira (5), às 19h, a exposição “Sólidos”, do artista curitibano Daniel Duda. A mostra reúne imagens e objetos produzidos com tecnologia de impressão em três dimensões que transitam entre o meio digital e a concretude física.
Os quatro vídeos e sete trabalhos produzidos em 2015 mesclam fotografias e objetos impressos em 3D que propõem tornar explícita ao espectador a maneira como o meio digital constrói objetos ficcionalmente tangíveis e, acima de tudo, a sutil troca entre meio e tecnologia.
Artista visual atuante, Daniel Duda investiga diálogos entre o real e o artificial, imagem e representação. Seus trabalhos exploram fotografia, vídeo e objetos. O projeto “Sólidos” foi realizado com o apoio da Prefeitura e Fundação Cultural de Curitiba, por meio do Fundo Municipal da Cultura.

A mostra “Sólidos” pode ser visitada até dia 10 de janeiro de 2016, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h. A entrada é franca.

No Paiol, musical homenageia Baden Powell e Garoto

O Teatro Paiol recebe nestas quinta e sexta-feiras (dias 5 e 6), às 20h30, o show “Cara de Baden e Jeito de Garoto”. O espetáculo musical, com obras dos consagrados violonistas e compositores Baden Powell e Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), evidencia suas trajetórias dentro da música brasileira. Dirigido e apresentado por Ale Age, músico e arranjador, o show traz uma seleção de composições que revelam as inovações estilísticas propostas por estes dois instrumentistas.
A principal característica do show é a apresentação de músicas consagradas do repertório popular com uma roupagem do século XXI através de mistura de estilos, com um roteiro bem amarrado, arranjos elaborados, inserção de elementos da música eletrônica, luz, cenário e figurino criados especialmente para este trabalho. Os próprios compositores são trazidos a interagir com os músicos em cena através de gravações originais.
“Cara de Baden e Jeito de Garoto” traz como integrantes do grupo Marcelo Athaides Pereira (baixo e programação eletrônica), Ale Age (violão e guitarra), Gabriel Schwartz (sopros e percussão), Luana de Castro (voz e percussão) e Fábio Mazzon (bateria e percussão). A luz do espetáculo tem a assinatura por Wagner Corrêa e a direção de palco é de Vinícius Mazzon. Quem assina o figurino é Isabella Fonseca e o cenário é uma criação de Fabiola Bonofiglio. A direção musical e pesquisas são de Ale Age.
Baden Powell (1937-2000) é considerado um dos maiores violonistas de todos os tempos, e um dos compositores mais expressivos da música brasileira. Foi aos limites de seu instrumento, criando um jeito único de tocar. Sua trajetória musical rompeu inúmeras barreiras estilísticas, realizando significativas sínteses estéticas que perpassaram, por exemplo, a música erudita e a música do candomblé. As inovações de Baden contribuíram para a universalização dos ritmos afro-brasileiros, surgindo uma nova frente da Bossa Nova.
Assim como ele, Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), o Garoto, impactou o modo de fazer música no Brasil. Arranjador e multi-instrumentista tornou-se um grande concertista, atuando em orquestras. Integrou o Bando da Lua, acompanhando Carmem Miranda durante oito meses nos EUA. Gravou, como solista, inúmeros sambas, choros, prelúdios, valsas, além de composições de músicos eruditos. Compositor de destaque da primeira metade do século XX, Garoto foi pioneiro na utilização dos elementos do jazz e do erudito na música popular brasileira. Sua linguagem impactou o surgimento da Bossa Nova e marcou definitivamente a história da música brasileira.

Os ingressos para o show “Cara de Baden e Jeito de Garoto” custam R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia).