quinta-feira, 12 de março de 2026

Conservatório de MPB terá 34 shows gratuitos neste ano

A agenda do Conservatório de MPB de Curitiba já conta com 40 shows marcados entre março e novembro, sendo 34 gratuitos. A primeira atração é a roda de choro desta quinta-feira (12), que tem como convidado o flautista Clayton Silva. A apresentação será no Conservatório (Rua Mateus Leme, 66 - São Francisco), às 19h. 

Silva é bacharel em flauta transversal pela Universidade Estadual do Paraná e toca flauta e flautim na Orquestra à Base de Sopro do Conservatório de MPB. Também é assistente de produção do tradicional Conjunto Choro e Seresta e responde pela direção artística da Banda Lyra Curitibana. É um dos idealizadores e curadores do Festival É no choro que eu vou, que acontece todo ano em Curitiba – em 2026, ocorrerá de 21 a 26 de abril.

Samba, forró e música caipira - Ainda em março, a roda de samba do Conservatório recebe o cavaquinista Didi do Cavaco, cantor popular que atua há 52 anos. O show ocorre no dia 19, às 19h.

No dia 22, o programa Domingo Onze e Meia recebe o Forró de Maravilha, único grupo de forró exclusivamente feminino de Curitiba. No dia 25, às 19h, a roda de música caipira tem como convidada a intérprete Ana Decker, que já trabalhou com artistas como Robertinho Silva, Arismar do Espírito Santo e Jair Rodrigues.

Cinco programas - O conservatório ocupa um sobrado construído em 1897 e se dedica ao ensino, à pesquisa e à produção de eventos de Música Popular Brasileira. Oferece cursos nas áreas de instrumento, canto, teoria, estruturação musical e prática de conjunto e promove, ainda, workshops e bate-papos com artistas.

O espaço também é sede de grupos artísticos vinculados à Fundação Cultural de Curitiba e gerenciados pelo Instituto Curitiba de Arte e Cultura, entre eles as orquestras À Base de Corda e À Base de Sopro, o Vocal Brasileirão, o grupo infantojuvenil Brasileiro e o Coral Brasileirinho.

Além disso, promove programas com o objetivo de incentivar e divulgar o trabalho dos músicos curitibanos. São cinco programas já consolidados: Roda de Choro, Roda de Samba, Roda de Música Caipira e Domingo Onze e Meia, com entrada gratuita, no Conservatório, e o Terça Brasileira, com ingressos pagos (R$ 35,00 e R$ 17,50,meia), no Teatro do Paiol. Neste ano, as apresentações do Terça Brasileira começam em abril.

PROGRAMAÇÃO 2026

Domingo Onze e Meia

11h30 - Livre e gratuito CMPB (Rua Mateus Leme, 66 - Centro)

22/3 - Forró de Maravilha

26/4 - Regional É No Choro Que Eu Vou

17/5 - Duo Gulin & Oswaldo Rios

14/6 - Ricardo Salmazo - Desnudo

19/7 - Clarone no Choro

2/8 - Fino Fole - Forró Pé de Serra

23/8 - Sambas da Jay de Oyá

13/9 - Capybara Trio

20/9 - Orquestra Viola e Cantoria

18/10 - Tupi Pererê Canta Zum Zum Zum

Terça Brasileira - Teatro do Paiol - 19h  R. Cel. Zacarias, 51 - Prado Velho

R$ 35,00 e R$ 17,50 meia-entrada (www.comprenozet.com.br)

14/4 - Curitiba Ska Jazz Ensemble

12/5 - Choro Cruzado

23/6 - Grupo Pra Sacudir

11/8 - Daniel Migliavacca Quarteto

15/9 - Peci e o Tempero

17/11 - Samba do Cassin

Roda de Choro - 19h - Livre e gratuito

CMPB (Rua Mateus Leme, 66 - Centro)

12/3 - Convidado Clayton Silva

23/4 - Convidado Marco Aurélio Almeida

07/5 - Convidada Zélia Brandão

11/6 - Convidado Mário Conde

6/8 - Convidado Renan Bragatto

3/9 - Convidado Vinicius Chamorro

8/10 - Convidado Tiago Silva

5/11 - Convidada Marina Camargo

Roda de Samba - 19h - Livre e gratuito

CMPB (Rua Mateus Leme, 66 - Centro)

19/3 - Convidado Didi do Cavaco

16/4 - Convidada Janine Mathias

14/5 - Convidado Marcio Mania

18/6 - Convidada Rubia Divino

13/8 - Convidado Fábio Silva

10/9 - Convidada Maytê Correa

15/10 - Convidado Julio Mocidade

12/11 - Convidada Jô Nunes

Roda de Música Caipira - 19h - Livre e gratuito

CMPB (Rua Mateus Leme, 66 - Centro)

25/3 - Convidada Ana Decker

08/4 - Convidados Lisi da Maia e Carlinhos Goiano

20/5 - Convidado Maikel Monteiro

03/6 - Convidado Borges

19/8 - Convidados Caipira Jazz

16/9 - Convidados Orli e Gemmaque

21/10 - Convidados Grupo Curitibano

18/11 – Convidados Orquestra Viola e Cantoria

Mostra no Cine Passeio exibe filmes brasileiros que já concorreram ao Oscar

O cinema brasileiro tem conquistado cada vez mais reconhecimento internacional, especialmente após a vitória de “Ainda Estou Aqui” como Melhor Filme Internacional no Oscar de 2025. No entanto, essa não foi a primeira vez que uma produção nacional chegou ao tapete vermelho da maior premiação do cinema mundial.

Para relembrar essa trajetória, o Cine Passeio exibirá a partir desta semana cinco longas brasileiros que já foram indicados ao Oscar em edições anteriores. A Mostra Brasil no Oscar começa nesta quinta-feira (12), com sessões sempre às 19h30. Os ingressos estão disponíveis no site ingresso.com e na bilheteria do cinema.

O Cine Passeio de Curitiba vai transmitir a cerimônia da premiação do Oscar 2026 na fachada do cinema de rua da cidade, neste domingo (15). O evento organizado pela Fundação Cultural de Curitiba, Instituto Curitiba de Arte e Cultura e Prefeitura, integra a programação de aniversário da cidade, acontecerá a partir das 19h com a entrada das estrelas no famoso tapete vermelho do Teatro Dolby, em Los Angeles (EUA), onde acontecerá a festa.

CONFIRA OS FILMES

O PAGADOR DE PROMESSAS - Quinta-feira (12/3) - Lançado em 1962 e dirigido por Anselmo Duarte, foi o primeiro filme brasileiro indicado a um Oscar, concorrendo na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. A história acompanha Zé do Burro, um homem humilde que enfrenta a resistência da Igreja ao tentar cumprir uma promessa feita em um terreiro de candomblé. Na ocasião, o filme perdeu a estatueta para o francês “Les Dimanches de Ville d’Avray”.

O QUATRILHO - Sexta-feira (13/3) - Quase 35 anos após a primeira indicação do Brasil ao Oscar, “O Quatrilho” tornou-se, em 1996, o segundo filme brasileiro a disputar a premiação. Dirigido por Fábio Barreto, o longa narra a história de dois casais de imigrantes italianos que decidem morar na mesma casa para enfrentar as dificuldades da vida no interior do Rio Grande do Sul, situação que acaba gerando um inesperado envolvimento amoroso. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, perdeu para o holandês “A Excêntrica Família de Antônia”.

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? - Sábado (14/3) - Dirigido por Bruno Barreto, o filme retrata o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, realizado por integrantes de grupos guerrilheiros que lutavam contra o regime militar. O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998, mas perdeu para o também holandês “Caráter”.

CENTRAL DO BRASIL - Terça-feira (17/3) - Dirigido por Walter Salles, Central do Brasil também marcou época. Em 1999, o longa recebeu duas indicações ao Oscar: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro. A trama acompanha Dora, uma professora aposentada que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e que acaba embarcando em uma jornada pelo interior do país ao lado de Josué, um menino que procura o pai que nunca conheceu. O filme não levou a estatueta: Fernanda Montenegro perdeu para Gwyneth Paltrow (“Shakespeare Apaixonado”) e o prêmio de Filme Estrangeiro ficou com o italiano “A Vida é Bela”.

AINDA ESTOU AQUI - Quarta-feira (18/3) - Encerrando a mostra, “Ainda Estou Aqui” foi indicado a três categorias no Oscar 2025 - Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, para Fernanda Torres - superando o recorde anterior de “Central do Brasil” entre produções brasileiras. O longa narra a história real de Eunice Paiva durante a ditadura militar brasileira, na década de 1970. Após o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, levado por militares, Eunice precisa reconstruir a vida para proteger os cinco filhos e passa a lutar pela memória e pelos direitos humanos. Fernanda Torres perdeu a estatueta de Melhor Atriz para Mikey Madison, de “Anora”, que também venceu o Oscar de Melhor Filme.

O Cine Passeio está situado na Rua Riachuelo, 410, Centro. Os ingressos: estão disponíveis para compra no site Ingresso.com ou na bilheteria local

Orquestra Sinfônica estreia novo piano Steinway & Sons com o irlandês Barry Douglas

A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) abriu a venda de ingressos para o concerto de abertura da Temporada 2026. Os ingressos, a R$ 10 e R$ 20, estarão disponíveis pelo DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra. O concerto é o primeiro da “Série Ouro” em 2026, que traz apresentações noturnas, além dos tradicionais concertos matutinos aos domingos.

As apresentações, que mostram ao público o novo piano de cauda Steinway & Sons, serão nos dias 12 de março (quinta-feira), às 20h30, e 15 de março (domingo), às 10h30, no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, sob regência do diretor Musical e Regente Titular da OSP, Roberto Tibiriçá, e participação do consagrado pianista irlandês Barry Douglas, vencedor do Prêmio Tchaikovsky em 1986.

O novo instrumento integra uma série de nove aquisições do Governo do Estado para a Sinfônica paranaense, em um aporte de quase R$ 6 milhões em equipamentos dentro de um investimento mais amplo de R$ 50 milhões no Centro Cultural Teatro Guaíra. Considerado padrão-ouro mundial, o Steinway chega para ampliar o repertório e a potência sonora da orquestra.

Em 50 anos de carreira, nunca vi um investimento como esse em uma instituição cultural. É um acontecimento extraordinário que vai enriquecer a sonoridade da orquestra e ficará como legado para o Paraná”, afirma Tibiriçá.

PROGRAMA – Como destaca o maestro titular, o novo Steinway marca não apenas o início de uma temporada, mas um novo capítulo na história da Orquestra Sinfônica do Paraná, que promete emocionar o público desde a primeira nota. A estreia do instrumento será marcada por um dos maiores desafios do repertório pianístico: o "Concerto nº 3 para piano em ré menor, Op. 30", de Sergei Rachmaninov.

Conhecida pelo virtuosismo extremo e pela intensidade emocional, a obra será interpretada por Barry Douglas, um dos principais pianistas da atualidade. “É um dos concertos mais lindos e mais difíceis do repertório pianístico”, aponta Barry Douglas “Estou muito ansioso para tocar essa peça no piano novo, com o meu amigo Roberto Tibiriçá e a Orquestra em Curitiba. Tenho memórias tão felizes da última vez que estive aí”, afirmou o solista que já tocou com a Orquestra em 2023.

Na segunda parte, a orquestra executa a "Sinfonia nº 1 em ré maior – Titan”, de Gustav Mahler, peça monumental que simboliza força, transformação e triunfo, uma escolha simbólica. “É uma obra extraordinária para comemorar a abertura dessa temporada”, destaca o maestro Tibiriçá.

A apresentação contará ainda com participação e homenagem à pianista Analaura de Souza Pinto, fundadora da OSP e figura central na história do instrumento na instituição.

PIANO – Antes de chegar ao palco, o Steinway passou por um processo minucioso de montagem, regulagem e afinação dentro do teatro, adaptado à acústica do espaço e ao uso sinfônico. O instrumento levou cerca de um ano para ser construído, em mais de 12 mil etapas artesanais, com madeira selecionada e componentes específicos para garantir projeção, precisão e riqueza tímbrica.

Com cerca de 85% de sua estrutura em madeira tratada por anos, o piano permite uma sonoridade que vai da delicadeza extrema à potência dramática, característica essencial para o repertório sinfônico.

LEGADO – Além do piano, a OSP deve receber ao longo do ano outros nove instrumentos: uma harpa de pedais, um órgão eletrônico, uma celesta, um cravo, dois contrabaixos de cinco cordas e dois trompetes de rotor. Diretor-presidente do Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro destaca que o investimento coloca o espaço no mesmo patamar de grandes teatros e salas de concerto do mundo.  É uma mensagem de compromisso com a arte e valorização do artista, mas principalmente para o público que vai aproveitar essa ferramenta cultural por gerações, assim como o primeiro”, resume.

É um patrimônio que o Governo do Paraná deixa para a comunidade. A gente investe para que o público possa viver essa experiência artística por gerações”, aponta a secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande Pereira.

A programação de 2026 foi concebida para destacar as características de cada novo equipamento em concertos específicos. A programação completa pode ser consultada no site da Orquestra Sinfônica do Paraná.

No mês do aniversário, Curitiba ganha 3 novas instalações artísticas ao ar livre

Como parte da comemoração pelos 333 anos de Curitiba, o prefeito Eduardo Pimentel vai inaugurar três novas instalações artísticas na cidade: um mural do artista Simon Taylor, uma escultura da mosaicista Patrícia Ono e a escultura em bronze em homenagem ao ex-prefeito, arquiteto e urbanista Jaime Lerner (1937-2021).

A primeira das entregas, nesta quinta-feira (12), será a da escultura em mosaico Elo, produzida pela artista Patrícia Ono. A obra de 1,2m x 3,20m homenageia os 130 anos de amizade Brasil-Japão e ficará na Praça do Japão, no Água Verde. A inauguração ocorrerá durante a entrega do Largo Chuji Seto Takeguma, nome original do artista Cláudio Seto, no entroncamento da Avenida República Argentina com as ruas Dr. Alexandre Gutierrez e Saint’Hilaire, ao lado da praça.

A artista conta que a milenar técnica do mosaico simboliza a natureza da amizade entre as duas nações. “Assim como o mosaico, a relação entre os dois países é formada de inúmeros fragmentos, histórias, tradições e símbolos”, diz Patrícia.

A inspiração, segundo Patrícia, veio da leveza e precisão do origami japonês com a bandeira de cada país, traduzida em uma estrutura de chapa metálica fina, revestida com cerâmicas e vidro. Os elementos simbólicos que compõem a obra são um diálogo entre as culturas.

Do lado japonês estão o crisântemo, a cerejeira e Ondas de Kanagawa, uma das pinturas mais famosas do Japão, de Katsushika Hokusai, que se tornou um grande ícone artístico. Em contraponto, a escultura traz a araucária e o pinhão, representando a força e as raízes da cultura paranaense e brasileira.

Um destaque especial da escultura é a homenagem a Claudio Seto, pioneiro do mangá no Brasil. “Além de dar nome ao largo onde a obra será instalada, ele é celebrado pela representação da deusa Amaterasu, que simboliza a luz e a união entre os povos”, completa Patrícia.

Ilustrador, artista visual e chargista, Seto é considerado um dos precursores do mangá no Brasil. Natural de Guaiçara (SP), viveu no Japão, onde estudou em um templo zen e frequentou o estúdio de Osamu Tezuka, referência mundial e conhecido como o pai do mangá no Brasil. Em Curitiba, onde residiu por 33 anos, atuou também como pesquisador da Fundação Cultural e do Memorial da Imigração Japonesa, além de colaborar com festivais tradicionais, como Haru Matsuri e Hana Matsuri.

Largo da Ordem 360º - Outro destaque da programação é a transposição da obra Largo da Ordem 360º, do artista curitibano Simon Taylor, para um mural em azulejos que será inaugurado no dia 17 de março. Trata-se do primeiro mural assinado pelo artista.

A peça ocupará a lateral do histórico casarão da papelaria Haupt, quase na entrada do Largo da Ordem, e poderá ser vista por quem passa pela Rua Barão do Serro Azul. O local está sendo preparado para a instalação que deve acontecer nas próximas semanas.

Simon Taylor é referência entre os urban sketchers (desenhistas urbanos) e possui trajetória consolidada em representações da capital. Seu estilo autoral combina precisão arquitetônica e sensibilidade artística, o que foi determinante para retratar a atmosfera histórica e cultural do Largo da Ordem”, destaca Marino Galvão Júnior, presidente da Fundação Cultural de Curitiba.

Considerada uma das obras mais conhecidas do artista, ela apresenta o Largo em vista aérea, com os principais imóveis do núcleo histórico desenhados em perspectiva: a Casa Romário Martins, a Igreja da Ordem, a Casa Vermelha, além do bebedouro e do tradicional calçamento em paralelepípedos com desenho circular.

O artista define o trabalho como uma “caricatura urbana”, linguagem em que elementos arquitetônicos são levemente distorcidos para acentuar o caráter artístico da cena.

Segundo Simon, o desenho original nasceu há pouco mais de dez anos, em novembro de 2015. “É um dos poucos desenhos meus que foi planejado”, afirma. Para executá-lo, ele levou quatro folhas de papel sulfite, sentou-se em frente ao bebedouro e dividiu o Largo da Ordem em quatro setores, desenhando cada parte separadamente e depois juntando tudo.

Com aproximadamente 5,20 metros de altura por 6,6 metros de largura, os azulejos que comporão o mural foram pintados à mão pelo artista e produzido pelo Estúdio Lenzi, empresa especializada em arte cerâmica.

A nova obra passará a dialogar com outros painéis existentes na região, como os de Poty Lazzarotto, instalados nos dois lados da Travessa Nestor de Castro, e o painel Figuras e Pássaros, de Alberto Massuda, mais recente.

Jaime Lerner na Rua XV - No dia 23 de março, será inaugurada a escultura em homenagem a Jaime Lerner, instalada no calçadão da Rua XV de Novembro, em frente à Galeria Ritz, entre a Avenida Marechal Floriano Peixoto e a Rua Dr. Muricy.

Assinada pelo artista Elvo Benito Damo, a obra em bronze, com cerca de 200 quilos, retrata Lerner sentado em um banco Toinoinoin, de design criado por ele, na cor vermelha. Na composição, o urbanista segura um lápis e um caderno aberto com a frase em relevo: “Quem cria, nasce todo dia”.

A escolha do local é carregada de simbolismo. A Rua XV de Novembro foi a primeira via pública exclusiva para pedestres no Brasil, implantada em 1972, durante o primeiro mandato de Lerner como prefeito da capital paranaense, uma decisão considerada ousada e inovadora à época.

Reconhecido internacionalmente, Lerner deixou um legado no planejamento urbano com intervenções voltadas à qualidade de vida, à sustentabilidade e à mobilidade. Ele se destacou na implantação parques urbanos multifuncionais, como Barigui e o São Lourenço, que funcionam como área de lazer, conservação e como bacias de contenção de enchentes. O transporte público foi outro capítulo na vida pública do gestor, que implantou os corredores de BRT, canaletas exclusivas para ônibus. 

Curitiba celebra o Mês da Mulher com lançamento do livro “Elas Empreendem” no Paiol Digital de março

Nesta quinta-feira (12), 18h30, vai ser lançado  o livro “Elas Empreendem – Histórias de Sucesso das Mulheres do Prêmio Empreendedora 2025”.  O lançamento acontece durante o Paiol Digital das Mulheres, evento especial que será realizado no Pinhão Hub, no Rebouças, reunindo empreendedoras, lideranças e a comunidade para celebrar o protagonismo feminino nos negócios.

A iniciativa é da Prefeitura de Curitiba, por meio da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação. A publicação reúne relatos de finalistas e vencedoras do Prêmio Empreendedora 2025, reconhecidas em cerimônia realizada no Museu Oscar Niemeyer em outubro do ano passado.

Esta é a primeira vez que as histórias das participantes da premiação ganham um livro. A obra registra trajetórias marcadas por determinação, inovação e capacidade de transformação, eternizando experiências que hoje inspiram outras mulheres a empreender.

Histórias de vida que inspiram - Mais do que contar conquistas, o livro revela os caminhos percorridos por cada empreendedora até consolidar seus negócios. As narrativas apresentam desafios enfrentados ao longo da vida, desde dificuldades financeiras e preconceito até perdas pessoais e mudanças radicais de trajetória.

Entre os relatos estão histórias de mulheres que caminharam quilômetros para estudar na infância, trabalharam na roça, deixaram suas cidades em diferentes regiões do Brasil em busca de oportunidades e também de uma empreendedora que chegou a Curitiba como refugiada da guerra na Síria. Em comum, todas compartilham coragem, preparo, dedicação e a capacidade de reinventar o próprio caminho.

No prefácio da obra, o prefeito Eduardo Pimentel destaca que o empreendedorismo é uma das forças que impulsionam o desenvolvimento da cidade e que incentivar mulheres a empreender é também fortalecer a economia e promover oportunidades.

O empreendedorismo tem papel fundamental na construção de uma cidade dinâmica e inovadora. Valorizar a trajetória das mulheres que empreendem é reconhecer talentos que geram desenvolvimento, criam oportunidades e ajudam a construir um futuro mais justo e inclusivo”, afirma o prefeito.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, ressalta que cada história retratada na obra demonstra a força e a determinação das empreendedoras. “Ao compartilhar essas experiências, ampliamos o alcance dessas histórias e reforçamos nosso compromisso de criar cada vez mais oportunidades para que as mulheres avancem no mundo dos negócios”, destaca.

Para o presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Dario Paixão, transformar as histórias do prêmio em livro fortalece o impacto da iniciativa.

Ao registrar essas trajetórias em uma publicação, ampliamos o alcance dessas histórias e mostramos que por trás de cada negócio existe muito esforço, aprendizado e vontade de transformar realidades”, afirma.

Rede de apoio - A publicação também é resultado do trabalho de avaliadoras, mentoras e palestrantes que participaram do Prêmio Empreendedora 2025, contribuindo com conhecimento, orientação e incentivo às participantes ao longo de toda a jornada.

O projeto foi viabilizado em parceria com a Editora Suardi, por iniciativa da editora Giselle Suardi, que apoiou a produção da obra ao reconhecer a importância da premiação para o fortalecimento do empreendedorismo feminino em Curitiba e na Região Metropolitana. A impressão do livro contou com apoio da gráfica Hellograf.

O Pinhão Hub está siuado na Rua Engenheiros Rebouças, 1.732, Rebouças.

Das embalagens de balas para o acervo da Casa da Memória, Zequinha virou patrimônio de Curitiba

Um dos maiores símbolos da Curitiba de antigamente era um palhacinho de roupa azul e gravata-borboleta vermelha. As figurinhas de Zequinha e seus múltiplos personagens viraram febre, conquistaram gerações, viajaram o mundo e atravessaram décadas acompanhando tanto a evolução urbana da capital paranaense como os comportamentos sociais. 

Um dos maiores símbolos da Curitiba de antigamente era um palhacinho de roupa azul e gravata-borboleta vermelha. As figurinhas de Zequinha e seus múltiplos personagens viraram febre, conquistaram gerações, viajaram o mundo e atravessaram décadas acompanhando tanto a evolução urbana da capital paranaense como os comportamentos sociais.

Criado entre 1928 e 1929 como estratégia comercial para impulsionar as vendas das balas produzidas pela fábrica de doces A Brandina, dos irmãos Sobania, Zequinha nasceu em uma Curitiba sem asfalto, de bondes e carroças e habitada por cerca de 100 mil pessoas, quase metade da população do atual bairro da CIC.

Do início até os dias atuais, Zequinha soma aproximadamente 1.200 figurinhas. Cada imagem mostrava o palhacinho exercendo profissões, vivenciando cenas urbanas ou representando tipos sociais da época. De ferreiro a médico, astrônomo, agricultor, ambulante, lixeiro, Zequinha desempenhou múltiplas funções.

Ao longo de quase um século passou pela mão de três desenhistas. Incialmente o litógrafo Alberto Thiele, que fez as primeiras 50 figurinhas rodadas na histórica Impressora Paranaense. A primeira ilustração, desenhada por Thiele, retratava o palhaço tomando banho em sua banheira, ponto de partida para uma coleção que marcaria gerações.

Na década de 1940, Paulo Carlos Rohrbach assumiu o traço do palhacinho e desenhou mais 150 imagens. Com esses dois artistas, foram produzidas quatro séries de figurinhas que embalaram milhares de balas até 1967 e motivaram a criançada a comprar os doces, na tentativa de completar a coleção.

Além de conquistarem o público pelos desenhos, as figurinhas surgiram em uma época em que havia poucas opções de brinquedos para as crianças. Nesse contexto, brincadeiras como o tradicional “bafo” ganharam força e marcaram a infância de gerações que se empenhavam em ampliar suas coleções. Para quem completasse o álbum, havia ainda a possibilidade de trocar as figurinhas por brinquedo.

Zequinha no então ICM - Após um hiato de 12 anos, Zequinha volta repaginado em 1979 pelo artista curitibano Nilson Muller, e se torna o garoto-propaganda do Governo do Paraná, numa grande campanha de arrecadação do então ICM (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias).

No início da década de 2020, Zequinha seguiu carreira solo até o falecimento de Muller, em janeiro deste ano. Foi ele quem fez as maiores transformações no personagem, que ganhou traços mais suaves, um ar mais leve e características contemporâneas de diversidade e respeito. 

Zequinha polêmico - O personagem também refletiu valores e contradições de seu tempo. Algumas edições antigas traziam cenas hoje consideradas inadequadas, com estereótipos e situações violentas: Zequinha assaltante, suicida, briguento, gangster, racista e outros comportamentos que certamente fariam o personagem ser “cancelado”, para usar um termo do momento. A partir da década de 1980, essas representações foram reformuladas.

Ao mesmo tempo, ele sinalizava uma Curitiba passando por importantes processos de modernização, como o alargamento de ruas e calçadas, expansão da energia elétrica e do saneamento, automóveis nas ruas. Nesses contextos aparecem Zequinha como eletricista, mecânico, aviador, engenheiro, demonstrando uma cidade que deixava suas características rurais para se tornar uma metrópole.

Zequinha não é só figurinha, ele também é memória de Curitiba e parte da identidade da cidade”, afirma Camila Jansen, historiadora que usou as ilustrações do palhaço em seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná.

A pesquisadora usou a primeira coleção de figurinhas, entre 1929 e 1948, para analisar os impactos da modernização e da urbanização em Curitiba. A partir das imagens do palhacinho, investigou costumes, tecnologias e transformações culturais da cidade.

O doutorado, em 2019, resultou no livro “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora”, publicado no final de 2024 com apoio da Fundação Cultural de Curitiba por meio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura.

O livro pode ser encontrado em diversos pontos, como na loja do Museu Oscar Niemeyer, nas Livrarias Telaranha e Arte & Letra e em outros locais de Curitiba e em Ponta Grossa.

A pesquisa da autora partiu do documentário “Zequinha Grande Gala”, lançado em 2005 pelo cineasta Carlos Henrique Tullio. Após assistir a obra, a pesquisadora entrou em contato com o documentarista que a auxiliou a encontrar o material para o estudo.

Zequinha na Casa da Memória - O material histórico usado tanto para o documentário como para as pesquisas de Camila sobre o personagem está preservado na Casa da Memória de Curitiba, centro de documentação da Fundação Cultural de Curitiba.

O acervo reúne mais de 500 itens originais relacionados a Zequinha, incluindo uma cartela com as 200 estampas da primeira fase e um álbum completo autografado e doado por Nilson Muller, o desenhista curitibano que assumiu a fase moderna do personagem no início dos anos 1980.

Administrada pela Diretoria de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Fundação Cultural de Curitiba, a Casa da Memória é referência em documentação histórica, com foco na trajetória de Curitiba e do Paraná. O material é disponibilizado gratuitamente para consulta pública. Os itens estão disponíveis para a consulta digital via o email casadamemoria@curitiba.pt.gov.br.

A Casa da Memória é fundamental para pesquisas sobre a história e a identidade de um lugar, mas, um centro de preservação só faz sentido se a população reconhece a importância de conhecer mais sobre nós e sobre o nosso passado”, conclui a pesquisadora.

A importância de Zequinha para a história de Curitiba é tamanha que ele foi tema do primeiro Boletim da Casa da Memória. Escrito por Valêncio Xavier, o boletim “Desembrulhando as Balas Zequinha”, foi lançado em 1974 para acompanhar a exposição do acervo das Balas Zequinha na Casa Romário Martins.

Zequinha no Futuro - A família de Nilson Muller é a guardiã do Zequinha. Antes de falecer, aos 84 anos, o artista deixou uma série de ilustrações do palhacinho não publicadas. Katia Gebur Muller, nora do desenhista, afirma que pensa em fazer uma curadoria do material para lançar futuramente. Os planos são de manter tanto a memória do Nilson como do Zequinha vivas. “Nós queremos tratar o Zequinha com o maior carinho e o maior respeito que ele merece, assim como honrar o legado do Nilson”, afirma Kátia.

Miniauditório do Guaíra recebe adaptação contemporânea de "O Beijo no Asfalto"

A montagem “Beijo e Asfalto ou O Fato É” estreou no Auditório Glauco Flores de Sá (Miniauditório), em Curitiba. O espetáculo se constrói como uma investigação cênica a partir de uma provocação inicial: três atores decidem montar "O Beijo no Asfalto", de Nelson Rodrigues. Durante o processo, eles percebem que o texto, escrito em 1961, poderia se passar em 1943, em 2026 ou em 2052. A constatação desloca a encenação para uma reflexão mais ampla e atual. A pergunta que atravessa a montagem é direta: qual é o papel da mídia na construção da realidade? Um jornal mentiria?

A montagem marca a primeira peça profissional da Garalhufa e propõe um mergulho contemporâneo nas estruturas de manipulação, moralismo e espetacularização já denunciadas por Nelson Rodrigues.

Na obra original, o beijo entre Arandir e um homem atropelado vira manchete que serve para encobrir um crime policial. Décadas depois, o espetáculo investiga as novas cortinas de fumaça: fake news, linchamentos virtuais, vazamentos de dados, espetacularização midiática e disputas narrativas em ano eleitoral.

A obra não se configura como uma adaptação tradicional ou uma releitura, mas como um estudo cênico. O palco se transforma em sala de ensaio, redação de jornal, tribunal, delegacia e feed de notícias. Em cena, os intérpretes investigam como um gesto íntimo pode ser convertido em escândalo público.

Com orientação artística de Giordano Castro (Magiluth) e dramaturgia de Vinicius Medeiros, o espetáculo assume uma linguagem híbrida, que transita entre peça-ensaio, palestra performativa e investigação documental. A direção é construída de forma colaborativa entre elenco e dramaturgo.

O projeto foi realizado por meio do Mecenato – Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba, com patrocínio de Centro Diagnóstico Água Verde, Florença Veículos e Serra Verde Express.

Indicadas para maiores de 16 anos, as apresentações de "Beijo e Asfalto ou O Fato É” até dia 19 de março, de quarta a sábado, às 20h; domingos, às 16h e 19h. Entrada Gratuita: Ingressos distribuídos 30 minutos antes de cada sessão no auditório. Acessibilidade: O espetáculo contará com sessões com tradução em Libras, no dia 15, às 19h, e 19, às 20h