A
montagem “Beijo e Asfalto ou O Fato É” estreou no Auditório Glauco Flores de Sá
(Miniauditório), em Curitiba. O espetáculo se constrói como uma investigação
cênica a partir de uma provocação inicial: três atores decidem montar "O
Beijo no Asfalto", de Nelson Rodrigues. Durante o processo, eles percebem
que o texto, escrito em 1961, poderia se passar em 1943, em 2026 ou em 2052. A
constatação desloca a encenação para uma reflexão mais ampla e atual. A
pergunta que atravessa a montagem é direta: qual é o papel da mídia na
construção da realidade? Um jornal mentiria?
A
montagem marca a primeira peça profissional da Garalhufa e propõe um mergulho
contemporâneo nas estruturas de manipulação, moralismo e espetacularização já
denunciadas por Nelson Rodrigues.
Na
obra original, o beijo entre Arandir e um homem atropelado vira manchete que
serve para encobrir um crime policial. Décadas depois, o espetáculo investiga
as novas cortinas de fumaça: fake news, linchamentos virtuais, vazamentos de
dados, espetacularização midiática e disputas narrativas em ano eleitoral.
A
obra não se configura como uma adaptação tradicional ou uma releitura, mas como
um estudo cênico. O palco se transforma em sala de ensaio, redação de jornal,
tribunal, delegacia e feed de notícias. Em cena, os intérpretes investigam como
um gesto íntimo pode ser convertido em escândalo público.
Com
orientação artística de Giordano Castro (Magiluth) e dramaturgia de Vinicius
Medeiros, o espetáculo assume uma linguagem híbrida, que transita entre
peça-ensaio, palestra performativa e investigação documental. A direção é
construída de forma colaborativa entre elenco e dramaturgo.
O
projeto foi realizado por meio do Mecenato – Lei Municipal de Incentivo à
Cultura de Curitiba, com patrocínio de Centro Diagnóstico Água Verde, Florença
Veículos e Serra Verde Express.
Indicadas para maiores
de 16 anos, as apresentações de "Beijo e Asfalto ou O Fato É” até dia 19
de março, de quarta a sábado, às 20h; domingos, às 16h e 19h. Entrada Gratuita:
Ingressos distribuídos 30 minutos antes de cada sessão no auditório. Acessibilidade:
O espetáculo contará com sessões com tradução em Libras, no dia 15, às 19h, e
19, às 20h

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