Como
parte da comemoração pelos 333 anos de Curitiba, o prefeito Eduardo Pimentel
vai inaugurar três novas instalações artísticas na cidade: um mural do artista
Simon Taylor, uma escultura da mosaicista Patrícia Ono e a escultura em bronze
em homenagem ao ex-prefeito, arquiteto e urbanista Jaime Lerner (1937-2021).
A
primeira das entregas, nesta quinta-feira (12), será a da escultura em mosaico
Elo, produzida pela artista Patrícia Ono. A obra de 1,2m x 3,20m homenageia os
130 anos de amizade Brasil-Japão e ficará na Praça do Japão, no Água Verde. A
inauguração ocorrerá durante a entrega do Largo Chuji Seto Takeguma, nome
original do artista Cláudio Seto, no entroncamento da Avenida República
Argentina com as ruas Dr. Alexandre Gutierrez e Saint’Hilaire, ao lado da praça.
A
artista conta que a milenar técnica do mosaico simboliza a natureza da amizade
entre as duas nações. “Assim como o
mosaico, a relação entre os dois países é formada de inúmeros fragmentos,
histórias, tradições e símbolos”, diz Patrícia.
A
inspiração, segundo Patrícia, veio da leveza e precisão do origami japonês com
a bandeira de cada país, traduzida em uma estrutura de chapa metálica fina,
revestida com cerâmicas e vidro. Os elementos simbólicos que compõem a obra são
um diálogo entre as culturas.
Do
lado japonês estão o crisântemo, a cerejeira e Ondas de Kanagawa, uma das
pinturas mais famosas do Japão, de Katsushika Hokusai, que se tornou um grande
ícone artístico. Em contraponto, a escultura traz a araucária e o pinhão,
representando a força e as raízes da cultura paranaense e brasileira.
Um
destaque especial da escultura é a homenagem a Claudio Seto, pioneiro do mangá
no Brasil. “Além de dar nome ao largo
onde a obra será instalada, ele é celebrado pela representação da deusa
Amaterasu, que simboliza a luz e a união entre os povos”, completa
Patrícia.
Ilustrador,
artista visual e chargista, Seto é considerado um dos precursores do mangá no
Brasil. Natural de Guaiçara (SP), viveu no Japão, onde estudou em um templo zen
e frequentou o estúdio de Osamu Tezuka, referência mundial e conhecido como o
pai do mangá no Brasil. Em Curitiba, onde residiu por 33 anos, atuou também
como pesquisador da Fundação Cultural e do Memorial da Imigração Japonesa, além
de colaborar com festivais tradicionais, como Haru Matsuri e Hana Matsuri.
Largo da Ordem 360º - Outro destaque da programação é a
transposição da obra Largo da Ordem 360º, do artista curitibano Simon Taylor,
para um mural em azulejos que será inaugurado no dia 17 de março. Trata-se do
primeiro mural assinado pelo artista.
A
peça ocupará a lateral do histórico casarão da papelaria Haupt, quase na
entrada do Largo da Ordem, e poderá ser vista por quem passa pela Rua Barão do
Serro Azul. O local está sendo preparado para a instalação que deve acontecer
nas próximas semanas.
“Simon Taylor é referência entre os urban
sketchers (desenhistas urbanos) e possui trajetória consolidada em
representações da capital. Seu estilo autoral combina precisão arquitetônica e
sensibilidade artística, o que foi determinante para retratar a atmosfera
histórica e cultural do Largo da Ordem”, destaca Marino Galvão Júnior,
presidente da Fundação Cultural de Curitiba.
Considerada
uma das obras mais conhecidas do artista, ela apresenta o Largo em vista aérea,
com os principais imóveis do núcleo histórico desenhados em perspectiva: a Casa
Romário Martins, a Igreja da Ordem, a Casa Vermelha, além do bebedouro e do
tradicional calçamento em paralelepípedos com desenho circular.
O
artista define o trabalho como uma “caricatura urbana”, linguagem em que
elementos arquitetônicos são levemente distorcidos para acentuar o caráter
artístico da cena.
Segundo
Simon, o desenho original nasceu há pouco mais de dez anos, em novembro de
2015. “É um dos poucos desenhos meus que
foi planejado”, afirma. Para executá-lo, ele levou quatro folhas de papel
sulfite, sentou-se em frente ao bebedouro e dividiu o Largo da Ordem em quatro
setores, desenhando cada parte separadamente e depois juntando tudo.
Com
aproximadamente 5,20 metros de altura por 6,6 metros de largura, os azulejos
que comporão o mural foram pintados à mão pelo artista e produzido pelo Estúdio
Lenzi, empresa especializada em arte cerâmica.
A
nova obra passará a dialogar com outros painéis existentes na região, como os
de Poty Lazzarotto, instalados nos dois lados da Travessa Nestor de Castro, e o
painel Figuras e Pássaros, de Alberto Massuda, mais recente.
Jaime
Lerner na Rua XV - No dia 23 de março, será inaugurada a escultura em homenagem
a Jaime Lerner, instalada no calçadão da Rua XV de Novembro, em frente à
Galeria Ritz, entre a Avenida Marechal Floriano Peixoto e a Rua Dr. Muricy.
Assinada
pelo artista Elvo Benito Damo, a obra em bronze, com cerca de 200 quilos,
retrata Lerner sentado em um banco Toinoinoin, de design criado por ele, na cor
vermelha. Na composição, o urbanista segura um lápis e um caderno aberto com a
frase em relevo: “Quem cria, nasce todo dia”.
A
escolha do local é carregada de simbolismo. A Rua XV de Novembro foi a primeira
via pública exclusiva para pedestres no Brasil, implantada em 1972, durante o
primeiro mandato de Lerner como prefeito da capital paranaense, uma decisão
considerada ousada e inovadora à época.
Reconhecido
internacionalmente, Lerner deixou um legado no planejamento urbano com
intervenções voltadas à qualidade de vida, à sustentabilidade e à mobilidade.
Ele se destacou na implantação parques urbanos multifuncionais, como Barigui e
o São Lourenço, que funcionam como área de lazer, conservação e como bacias de
contenção de enchentes. O transporte público foi outro capítulo na vida pública
do gestor, que implantou os corredores de BRT, canaletas exclusivas para
ônibus.

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