Urgência e polêmica são dois elementos que
podem ajudar a explicar o sucesso de Michel Houellebecq, o autor francês mais
lido da atualidade - e tema do especial de capa da edição de agosto do jornal
Cândido, publicado mensalmente pela Biblioteca Pública do Paraná.
“Urgência” porque seus livros tratam de temas
atualíssimos, como imigração, desemprego, depressão, vício em medicamentos, clonagem,
terrorismo, turismo sexual, etc. Já a “polêmica” fica por conta das provocações
distribuídas pelo escritor ao longo de sua obra e que muitas vezes acabam por
ferir suscetibilidades (“misógino” e “xenófobo” são adjetivos bastante usados
por seus detratores).
Há, ainda, um terceiro elemento, destacado pelo
escritor e jornalista Paulo Polzonoff Jr. no texto principal da edição: o
humor. Para ele, Houellebecq é um palhaço, mas não daqueles escrachados. Sua
capacidade de fazer rir está nos detalhes. “Um
adjetivo aqui, uma metáfora quase que nonsense lá, um aforismo acolá e, às
vezes, uma sentença irresponsável quando menos se espera”, explica
Polzonoff.
João Lucas Dusi, da equipe do Cândido, também
ajuda nessa investigação, traçando um perfil biográfico do francês - com foco
no relacionamento problemático dele com a mãe e no caráter “visionário” de sua
obra (há quem diga que o movimento dos “coletes amarelos”, surgido na França em
2018, foi antecipado em seu livro mais recente, “Serotonina”). Uma lista comentada
com todos os livros de Houellebecq completa o material.
OUTROS DESTAQUES - O premiado João Anzanello Carrascoza foi o
convidado de junho do projeto Um Escritor na Biblioteca, no auditório da BPP.
Com mais de 30 títulos publicados - entre romances, antologias de contos e
livros infantojuvenis e de não-ficção -, ele relembrou sua trajetória como
autor e leitor. O bate-papo, transcrito nesta edição, foi mediado pelo
jornalista Yuri Al’Hannati (as fotos são de Murilo Ribas).
O Cândido 97 ainda traz um artigo da escritora
e pesquisadora Juliana de Albuquerque na coluna Pensata, HQ de Ricardo Coimbra,
trecho do novo romance de Márcia Barbieri e poemas de Ana Guadalupe, Nicolas
Behr e Jim Morrison (na tradução de André Caramuru Aubert). Todas as ilustrações
deste número são do cartunista Benett.
O Cândido tem periodicidade mensal e distribuição gratuita na
Biblioteca Pública do Paraná e em diversos pontos de cultura de Curitiba. O
jornal também circula em todas as bibliotecas públicas e escolas de ensino médio
do Estado. É enviado pelo correio para professores, jornalistas, escritores e
críticos de diversas partes do Brasil. Confira o Cândido no endereço http://www.candido.bpp.pr.gov.br

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