“Uma escolha simbólica”. É como o
diretor Beto Carminatti justifica a opção pela Cinemateca de Curitiba como pano
de fundo para retratar a vida do cineasta e escritor Valêncio Xavier - que
fundou aquele espaço - em seu documentário. Para completar essa simbologia, o
filme agora será, por uma semana, exibido na própria Cinemateca, até o próximo
dia 11, sempre às 20h.
O documentário já chegou a ser exibido
na mesma sala este ano, em março, em meio a outros filmes envolvendo o
cineasta, nascido há 80 anos em
São Paulo e falecido em 2008 em Curitiba. Também
teve sessões em maio, no Cine Guarani. Agora, retorna à sala na rua Carlos
Cavalcanti.
Para Carminatti, o documentário
pretende “revelar e divulgar uma obra de inestimável valor para a história da
nossa cultura”. Utilizando-se de duas câmeras, ele alterna simplicidade e
ousadia na captação das imagens. “A primeira câmera numa concepção clássica de
enquadramento e a outra saltando para planos de maior envolvimento emocional”,
explica.
“A linguagem, continua o diretor, segue
uma dinâmica de construção narrativa baseada no rigor estético e preciso de
montagem do cinema de Sergei Eisenstein, com a atmosfera da poética visual dos
filmes de Alain Resnais”. Não por acaso, esses eram os cineastas prediletos de
Valêncio.
Carminatti afirma que a carência de
informações sobre a história do audiovisual no Paraná foi um dos elementos que
o moveu na realização desse projeto. “O cinema e a televisão no Estado têm sido
objeto de poucos estudos. Seus principais nomes ainda não têm sua história
devidamente registrada e divulgada”, diz.
Dessa forma, o diretor pretende
resgatar um pouco da história da cultura local e nacional, contribuindo,
segundo ele, para o seu enriquecimento. “Valêncio Xavier tem forte presença no
país pela sua produção literária, mas seu pioneirismo no audiovisual ainda não
recebeu a devida atenção”, alerta.
Pioneiro - Valêncio Xavier foi pioneiro
da televisão brasileira. Produziu filmes e vídeos e colaborou com os jornais
Gazeta do Povo e Folha de São Paulo. Sua carreira na literatura é conhecida
internacionalmente. A obra "O Mez da Grippe e Outros Livros" ganhou o prêmio
Jabuti de melhor produção editorial em 1999.
Valêncio criou o Centro de
Pesquisadores do Cinema Brasileiro, no final dos anos 60 e, em 1975, fundou a
Cinemateca de Curitiba, incentivando a formação de profissionais do cinema na
cidade. Na Cinemateca, desenvolveu e coordenou trabalhos de prospecção,
restauração e pesquisas sobre o cinema paranaense.

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