O trio curitibano Serra Acima, que
reúne os instrumentistas Emiliano Pereira, Marcio Pinho e João Triska, sob a
direção musical do renomado violeiro Rogério Gulin, é o cartaz do programa
Domingo Onze e Meia, na edição deste domingo (4), às 11h30, no Conservatório de
MPB de Curitiba. A proposta dos músicos é ir além da tradição, levando a viola
caipira a um novo patamar de interpretação. O espetáculo tem entrada franca.
Formado no início de 2012, o Serra
Acima explora os arranjos em trio, uma formação pouco usual na viola,
conjugando aspectos da música tradicional, erudita e popular brasileira. A
viola caipira, viola brasileira ou viola de arame tem uma história ligada ao
campo, à música rural caipira, e ao fandango do litoral paranaense e
sul-paulistano. Entretanto, a partir de Renato Andrade, alguns violeiros têm se
destacado na busca por revitalizar a viola, seja no repertório ou na
interpretação. Ivan Vilela, Paulo Freire, Roberto Correa, Rogério Gulin e
Fernando Deghi são alguns dos nomes que predominam nesse cenário.
A música tradicional de viola faz parte
do trabalho do trio, por meio da incorporação de alguns ritmos que estão
ligados à história desse instrumento. Tais ritmos já fazem parte da própria
linguagem da viola e aparecem de forma natural nos arranjos do grupo. A música
erudita está presente principalmente na concepção do trabalho, nas ideias de
contraponto dos arranjos e no apuro técnico, numa tentativa de explorar a
sonoridade do instrumento de formas variadas, sempre com foco na interpretação.
A música popular brasileira, que
envolve todo o universo de repertórios e possibilidades explorado pelo trio,
chega naturalmente pelas experiências prévias de cada um dos integrantes. Dessa
forma, revelam-se diversos ritmos brasileiros, como baião, pagode de viola,
toada, choro, fandango, maracatu, entre outros. A soma desses elementos dá ao
Serra Acima uma identidade única, revestida pela valorização das raízes
paranaenses da viola e pelo desejo de contribuir com um novo repertório, a
partir de composições próprias.

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