quarta-feira, 19 de abril de 2023

Pesquisadora lança livro sobre um dos bairros mais tradicionais de Curitiba, o Alto da Glória

O estilo eclético da arquitetura do início do século XX do Palacete Leão Jr., que alia elementos neoclássicos e influências barrocas, localizado no bairro Alto da Glória, hoje sede do Espaço Cultural BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul no Paraná atraiu a pesquisadora Amélia Siegel Corrêa, despertando nela o interesse em conhecer a história daquela icônica casa e, por consequência, também a formação do bairro e das famílias que ali viviam.  

Desta curiosidade nasceu o projeto “Alto da Glória: Fragmentos de uma História”, desenvolvido em parceria com a historiadora Solange Rocha, que resultou na mais recente edição do Boletim da Casa Romário Martins, publicado pela Fundação Cultural de Curitiba, com prefácio do prefeito Rafael Greca de Macedo e, também em um documentário homônimo. 

O lançamento será nesta quarta-feira, dia 19 de abril, às 18h30, justamente no espaço que inspirou o projeto, o Palacete Leão Jr. A programação conta com a exibição do documentário, um bate-papo da autora com o jornalista e professor da UFPR, Zeca Fernandes e com o arquiteto Key Imaguire, seguida de uma sessão de autógrafos. A entrada é gratuita, as reservas podem ser feitas pela plataforma https://www.sympla.com.br/livro-alto-da-gloria---fragmentos-de-uma-historia-lancamento__1949603

Fiquei maravilhada com a beleza e o requinte da casa, o nível de detalhes das portas de madeira, os vitrais, o teto ornamentado, o chão ladrilhado, a varanda! Quis saber mais sobre como era a vida ali e sobre o contexto em que uma casa como aquela foi construída. Percebi que existiam lacunas na história e uma boa oportunidade para uma pesquisa mais aprofundada”, conta Amélia.

Fontes documentais inéditas, arquivos históricos, jornais, documentos, mapas, livros, imagens, fotografias e entrevistas com descendentes dos moradores e antigos funcionários da casa foram materiais usados na reconstrução dessa memória que conta também parte da história de Curitiba. Tanto o livro quanto o documentário apresentam os principais fatos que envolvem a formação deste tradicional bairro curitibano no qual famílias vinculadas à erva-mate se estabeleceram, e revelam a importância da região como patrimônio histórico e cultural do estado. “A história do Alto da Glória se confunde com a história da modernização de Curitiba, viabilizada em grande parte pela expansão da produção e exportação de erva-mate, que, por sua vez, se configurou a partir de algumas famílias tradicionais do Paraná, responsáveis por investir na cultura e no desenvolvimento da cidade”, diz a pesquisadora. 

Os anos iniciais da formação do bairro são repletos de histórias fascinantes, envolveram personagens importantes da cidade, muitos deles, inclusive, nomeiam nossas ruas como o desembargador Agostinho Ermelino de Leão, o comendador Fontana e o arquiteto Cândido de Abreu, que foi prefeito de Curitiba (nos anos 1892/1893 e de 1913 a 1916), entre outros. A pesquisa se preocupou em fazer novas leituras da história propondo um olhar contemporâneo, crítico e abrangente sobre a formação do bairro, incluindo e recuperando a participação de mulheres relevantes como Maria Clara de Abreu Leão, Dolores Leão, Maria Bárbara Correia Leão, bem como de imigrantes, como o italiano Antônio Dallegrave, figura central na construção da Capela da Glória, que ficou pronta em 1896.  

O livro e o documentário trazem registros de quando a área ainda era uma zona de chácaras na qual estava sediada o Engenho Munhoz, que utilizava mãe de obra escrava; passando pela construção do Passeio Público; a criação do Boulevard Dois de Julho, que mais tarde passou a se chamar Avenida João Gualberto. Levanta também a história do Teatro da Glória; da bela Capela de Nossa Senhora da Glória; da Chácara da Nhá Laura, onde atualmente fica o Colégio Estadual do Paraná; bem como da já demolida Mansão das Rosas; da Casa da Chácara, moradia do casal desembargador Agostinho Ermelino de Leão e Maria Bárbara e, claro, do Palacete dos Leões, que em 1903 virou cartão postal da cidade e, em 1906, residência oficial do então presidente do Brasil, Afonso Pena, durante passagem por Curitiba. Considerando que era a primeira vez que um presidente visitava a capital paranaense, o fato foi um marco histórico.

Este projeto além de contribuir para a historiografia dos bairros de Curitiba, contribui para a ampliação e divulgação de novas fontes e abordagens historiográficas. Nosso intuito é ampliar o conhecimento sobre o patrimônio histórico de Curitiba, bem como valorizar e fortalecer a identidade local”, ressalta Amélia.

A pesquisa foi além da paisagem, revelou características e descobertas peculiares, como, por exemplo, a centralidade da prática religiosa diária das famílias da burguesia que ali viviam e que chegavam a dispor de oratórios domésticos e capelas particulares em suas próprias casas, o que permitia a realização de missas e até de casamentos. O conservadorismo e a endogamia como forma de manter o poder entre as famílias também foram traços que apareceram, assim como se evidencia que o protagonismo daquelas mulheres de elite se dava principalmente no ambiente da igreja e nas atividades de filantropia. 

Outro apontamento que o livro de mais de 100 páginas traz é sobre a importância da construção de um teatro particular, em meados da década de 1890, em uma das residências do bairro. O Teatro da Glória durou poucos anos, mas contribui para a modernização dos hábitos provincianos dos curitibanos e o avanço da cultura local. 

Foi a partir do Boletim Casa Romário Martins que o roteiro do documentário, com duração de 13 minutos, foi elaborado. Em setembro de 2022, o material foi exibido aos alunos do Colégio Estadual do Paraná como contrapartida social do projeto. A ideia foi despertar o interesse pela história local também nas gerações que estão conectadas com a linguagem do audiovisual. O filme com narrativa poética pode ser visto gratuitamente pelo Youtube, no Canal da Fundação Cultural de Curitiba, ampliando assim as referências visuais dos leitores do Boletim.

Este documentário preencheu uma lacuna que existia porque há muita informação e pesquisa sobre o Alto da Glória no final do XIX e começo do XX, mas nenhum material audiovisual que as compactassem. Ficamos muito orgulhosas com o resultado. E mais ainda de poder realizá-lo com uma equipe majoritariamente feminina”, comemora a pesquisadora.

O Boletim “Alto da Glória – Fragmentos de uma História” é um projeto realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura da Fundação Cultural de Curitiba / Prefeitura Municipal de Curitiba. A publicação impressa será distribuída gratuitamente no lançamento. Em breve a versão online estará disponível para download gratuito. O documentário pode ser visto no Canal Youtube da Fundação Cultural de Curitiba: https://youtu.be/6SFHAaIyUoQ. 

SOBRE A PESQUISADORA - Amélia Siegel Corrêa é doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Autora de diversos artigos e capítulos de livro, publicou “Alfredo Andersen: Retratos e Paisagens de um Norueguês Caboclo” (Alameda Editorial, 2014). Atua como curadora e pesquisadora nas áreas de patrimônio histórico, história das exposições, museus, mulheres artistas e História do Paraná. Professora da Pós-Graduação em História da Arte e Curadoria da PUC-PR, é diretora artística da Alhures Galeria.

O Palacete Leão Jr. está situado na Av. João Gualberto, 530,  Alto da Glória.

Com nova exposição, MIS-PR vira palco para celebrar história e legado cultural do choro

O Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR), com apoio do Programa de Mestrado em Música da Unespar e Mercado das Pulgas de Curitiba, apresenta a exposição “Choro Aqui em Todos os Lugares – Algumas Histórias”, que abre nesta quarta-feira (19), às 19h. A abertura da mostra comemora o Dia Nacional do Choro, em 23 de abril, data de nascimento de Pixinguinha, compositor dos chorinhos mais famosos da música brasileira.

Celebrando uma das principais expressões da cultura nacional, a mostra é conduzida para ir além dos fatores acadêmicos, envolvendo também as vivências informais das rodas de choro, com a curadoria de Ana Paula Peters, historiadora, flautista, bacharel em Museologia e professora da Unespar, com 20 anos de pesquisa sobre o gênero.

A exposição apresenta uma visão da história das pessoas e eventos que moldaram o gênero musical, com uma coleção de painéis que retratam as várias gerações de produtores e agentes culturais envolvidos com a produção e difusão do choro. Instrumentos musicais e partituras proporcionam uma experiência imersiva na cultura do choro, incluindo uma variedade de materiais relacionados, como coletânea de livros, discos, áudios e outros itens de interesse histórico.

Um dos destaques é o livro "Nas Trilhas do Choro", escrito por Ana Paula, que faz parte da exposição e pode ser acessado por meio deste link.

TRAJETÓRIA – Com o tema “Choro Aqui em Todos os Lugares”, a mostra enfatiza que hoje não há um lugar específico para o choro existir. “É um gênero consumido e produzido no Brasil inteiro. E não acontece somente no Brasil, mas também em âmbito global”, explica a curadora. Já o subtítulo "Algumas Histórias" faz referência à seleção de diferentes relatos e personagens que envolvem o gênero.

A proposta é levantar a trajetória do choro desde a Era do Rádio, falar de músicos, estudiosos, compositores, jornalistas e produtores como Sidail Cesar. Além disso, a exposição pretende dar voz a agentes culturais e chorões que ainda não alcançaram a visibilidade, como Pedrinho da Viola, e resgatar a presença feminina, em um convite para conhecer as contemporâneas Brejeiras, que seguem os passos de Chiquinha Gonzaga.

A mostra desperta o interesse dos chorões e leva ao público geral a compreensão histórica e cultural do que foi e do que é o choro, destacando o espaço democrático e de sociabilidade gerado por meio da música, que se firma como um gênero que aproxima gerações.

CHORO NO MIS – A abertura contará com a apresentação do grupo curitibano Choro & Seresta, conjunto mais antigo do Paraná e que tem se apresentado ininterruptamente há 50 anos. Esse grupo é parte fundamental da história do choro paranaense, como reconhece Ana Paula, em uma homenagem merecida aos primeiros integrantes e à importância das gerações de músicos envolvidos nessa trajetória.

Em cartaz até 18 de junho, a mostra será intensificada com atividades, eventos e palestras oferecidas pelo museu, que dialogam com o tema da exposição.

Em paralelo, o MIS-PR também recebe o IV Seminário Euro-Brasileiro de Choro, que inicia sua programação no dia 24 de abril para músicos, estudantes e público geral participarem de debates e apresentações.

A diretora do museu, Mirele Camargo, destaca que a intenção é unificar os chorões da cidade e promover uma imersão interessante e didática na cultura deste gênero musical. “A exposição e os eventos que estamos promovendo são uma oportunidade para conhecer e celebrar a riqueza deste gênero musical brasileiro e para apreciar a sua história e evolução”, complementa.

O Museu da Imagem e do Som do Paraná está situado na rua Barão do Rio Branco, 395, Centro.

Cinemateca de Curitiba exibe documentário e tem bate-papo sobre povo isolado da Colômbia

Escondidos em uma montanha piramidal isolada na Serra Nevada em Santa Marta, na Colômbia, o povo Kogi expressa um alerta sobre o equilíbrio da ecologia. A mensagem é transmitida ao mundo no documentário “Aluna” (Consciência), produzido pela BBC (2012) e que será exibido na Cinemateca de Curitiba, nesta quarta-feira (19), em comemoração ao Dia dos Povos Indígenas.

Após a exibição, haverá um bate-papo com Mamo Pankore Akuntarian, representante do povo Kogi.

Além do documentário da BBC, a programação terá exibição de curtas-metragens sobre comunidades indígenas locais e outras atividades abertas ao público, como venda de produtos e artesanatos.

“ALUNA” (CONSCIÊNCIA) - Os Kogis são descendentes da cultura Tayrona, uma civilização antiga que fugiu para os santuários das montanhas de Serra Nevada, escapando do aniquilamento de seus povos. Para preservar seu modo de vida tradicional, eles raramente interagem com o mundo moderno ou com a civilização externa.

Em 1990, em uma tentativa de evitar uma catástrofe ecológica, eles quebraram seu silêncio e permitiram que uma pequena equipe de filmagem da BBC e arqueólogos da Universidade de Lampeter entrassem em seu território para enviar um aviso sobre a destruição da natureza, o que foi feito por meio de um documentário chamado “From the Heart of The World - The Elder Brother's Warning” (Do coração do mundo - O alerta do irmão mais velho).

Apesar de voltarem ao seu silêncio, 20 anos depois do lançamento desse primeiro filme, os Kogi perceberam que sua mensagem e advertência não haviam sido atendidas e então contataram o mesmo cineasta para enviar uma mensagem final. Assim nasceu o documentário “Aluna”, feito pelos próprios Kogi Mamos (lideranças daquela comunidade indígena).

A exibição acontece às 19h. Ao final da sessão, será realizado um bate-papo com Mamo Pankore Akuntarian, um dos membros do povo Kogi. O encontro tem o objetivo de compartilhar a missão dos descendentes dos Tayrona. Durante o evento também será realizada uma atividade sobre como fazer uma oferenda à Terra.

ARTESANATOS - Além da exibição do documentário, o dia segue com diversas atrações. A programação começa às 15h com a exibição dos curtas “Aldeia” e “O Dia em que a Lua Menstruou”. O curta “Aldeia” é uma realização de Geraldo Pioli e Nguné Elu e traz uma história bem-humorada da tentativa de um padre jesuíta de ensinar os dez mandamentos para uma tribo Guarani poligâmica.

Já o curta “O Dia em que a Lua Menstruou” tem autoria de Maricá Kuikuro e Takumã Kuikuro, e conta sobre um dia marcante na aldeia Kuikuro em que ocorre um eclipse que altera toda a paz da natureza.

Durante a tarde, das 15h às 19h, o público é convidado a conhecer mais sobre a cultura com uma exposição e vendas de produtos indígenas. A ação conta com a participação do povo Kanhgág e do povo Jamamadi, que vivem em Curitiba. Dentre os produtos expostos estão artesanatos, cestarias, essências, entre outros produtos.

A Cinemateca de Curitiba está situada na rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.174, São Francisco.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Coro Cênico de Curitiba une teatro e música em espetáculo com ingressos a preços populares

Numa mescla de música e teatro, o Coro Cênico de Curitiba traz mais de trinta artistas entre cantores e atores, musicistas e equipe técnica no espetáculo “Amar e Mudar as Coisas Interessa Mais”.  Com uma temporada no Teatro Zé Maria entre os dias 12 e 17/04, com incentivo da Fundação Cultural de Curitiba, Celepar e Consórcio Servopa, eles tratam de temáticas sensíveis ao amor, em suas variadas formas, e à latinidade brasileira, assunto que continua sendo relevante para as discussões atuais sobre as identidades brasileiras. Os ingressos variam entre R$ 5 e R$10.

O espetáculo foi um sucesso de bilheteria entre 2019 e o começo de 2020 e volta aos palcos pela primeira vez após a pandemia. “‘Amar e Mudar as Coisas Interessa Mais’ propõe uma ressignificação sobre a contemporaneidade, trazendo um novo sentido para o amor e a revolução em diferentes formas de canto, ancestralidade, nacionalidade e cultura”, diz o diretor cênico Léo Moita. “É um gesto de afago, de carinho. É um beijo, bem no meio do Brasil. É um amor que a gente não pode perder”, completa.

Além da direção de Moita, o show conta com assistência de direção cênica de Naiara Bastos, direção musical de Baeni e Igor Ribeiro, direção de produção de Tainara Baságlia e direção de comunicação de Veronica Melhem. O repertório passa por sucessos de Belchior, Milton Nascimento, Johnny Hooker, Luedji Luna, entre outros.

Fundado em 2018, o Coro Cênico de Curitiba iniciou seus trabalhos apresentando o espetáculo “Pequena Memória para um Tempo sem Memória”, durante quatro dias no Teatro Guairinha, que contou com mais de 1.200 espectadores em sua temporada de estreia. Agora, a retomada das atividades presenciais e do palco marca uma nova fase em um projeto inovador.

Apoio: Centro Cultural da Espanha, França da Rocha Advogados Associados, Fundação Bianca Bianchi, MarqImpactaPDV, SESI Cultura

Incentivo: Celepar e Consórcio Servopa. Projeto Realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba 

O Teatro Zé Maria fica localizado na R. Treze de Maio, 655, São Francisco.

Orquestra Ladies Ensemble interpreta clássicos eslavos neste fim de semana

A próxima apresentação da Orquestra Ladies Ensemble promete uma viagem musical por diferentes períodos da música clássica eslava. O segundo concerto da temporada 2023 do grupo no Auditório Regina Casillo, no centro de Curitiba, apresenta obras dos russos Tchaikovsky, Shostakovich e Shatrov nos dias 14 de Abril, às 20 horas, e 15 de Abril, às 17 horas. O projeto é realizado pelo Ministério da Cultura e Centro Cultural Solar do Rosário por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Os ingressos já estão à venda e custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada), mais taxa do DiskIngressos.

Com direção artística e musical de Fabiola Bach Akel, o repertório reúne peças célebres dos três compositores, que figuram entre os nomes mais relevantes da música clássica russa e tiveram importantes influências da música tradicional eslava em suas criações. A “Valsa N.º 2”, de Shostakovich, abre o programa, seguida pela “Serenata para Cordas”, de Tchaikovsky, e de “On the Hills of Manchuria”, de Shatrov. A apresentação terá comentários da educadora musical Clarice Miranda. A regência será de Roberto Ramos.

PROGRAMA - Composta por Dmitri Shostakovich (1906–1974), um dos principais nomes da música clássica do século 20, a contagiante “Valsa Nº 2” é um de seus temas mais conhecidos e populares, sendo tocado em inúmeras ocasiões até hoje – desde concertos de orquestra até casamentos e bailes de salão. 

Também muito presente nos programas de concerto mundo afora, a “Serenata para Cordas”, de Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840–1983), é considerada uma das melhores peças já escritas para orquestra de cordas. A obra é dividida em quatro movimentos e ilustra a expressividade e complexidade do compositor – um ícone do período romântico na música clássica.

Fecha o programa a peça "On the Hills of Manchuria", composta em 1906 pelo compositor e violinista Ilya Alekseevich Shatrov (1879–1952). Trata-se de outra valsa, desta vez de temática triste: a composição foi inspirada por uma batalha trágica da Guerra Russo-Japonesa (1904–1905), em que o músico serviu como líder da banda militar e se tornou um dos últimos sobreviventes de seu regimento.

A LADIES ENSEMBLE - Primeira orquestra formada só por mulheres no Brasil, a Ladies Ensemble atua desde 2009 e reúne musicistas de diferentes idades, vertentes, influências e inspirações. Fundada pela violista Fabiola Bach Akel, o grupo é expoente em um universo com diminuta presença feminina em posições de liderança e mostra que mulheres podem ser protagonistas em uma orquestra.

O apoio a causas da mulher é uma de suas missões centrais - entre elas, a conscientização sobre o câncer de mama. Para isso, produz iniciativas como o “Concerto das Rosas” - espetáculo apresentado para milhares de pessoas entre 2017 e 2018 com o objetivo de arrecadar fundos para a compra de próteses mamárias.

Hoje com “casa própria” no Auditório Regina Casillo, a Ladies Ensemble tem entre suas missões a formação de plateia, a democratização da música clássica e a formação de musicistas. Desde seu início pioneiro como noneto até hoje, a orquestra influencia e inspira outras mulheres a seguirem seus sonhos e paixões sem medo.

A residência na sala de concertos se estabeleceu em 2022 por meio do bem-sucedido projeto “Orquestra Ladies Ensemble no Auditório Regina Casillo”, realizado pelo Centro Cultural Solar do Rosário e viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. Foram dois concertos mensais inéditos do grupo no espaço – inaugurado pela instituição em 2019.

Com casa cheia ao longo de toda a temporada, a orquestra recebeu convidados como o pianista Arnaldo Cohen, a maestrina Priscila Bonfim, as cantoras Fortuna, Daniele de Oliveira e Masami Ganev e as violinistas Carolina Kliemann e Soraia Landim.

Além de outras ações de contrapartida social e concertos didáticos gratuitos, destacou-se em 2022 o concerto de Natal, em dezembro, que arrecadou mais de 500 brinquedos novos doados pelo Solar do Rosário ao Hospital Pequeno Príncipe – instituição beneficiada pelo projeto “Orquestra Ladies Ensemble no Auditório Regina Casillo”. As doações foram entregues a pacientes internados ou em tratamento no hospital pediátrico.

LADIES ENSEMBLE NO AUDITÓRIO REGINA CASILLO - O projeto anual “Orquestra Ladies Ensemble no Auditório Regina Casillo” foi viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e conta com patrocínio das empresas OdontoCompany, BHS Corrugated, Oregon, Nórdica Veículos, Guararapes, Impextraco, Tintas Dacar, Sollo Sul, Ferragens Negrão, Transunion, Abase Vet, Grupo Barigui Veículos, Grasp, Milium, Trutzschler, Agrosul Catarinense, GV2C, Tintas Alessi, Fobras, PASA, Delta Cable, Plast & Pack, M.A. Máquinas, Dissul, Stampa Food e Perkons. A Instituição beneficiada é o Hospital Pequeno Príncipe.

A realização é do Solar do Rosário, espaço particular de Arte e Cultura em Curitiba fundado em 1992. Com Direção Geral de Lucia Casillo Malucelli e Direção Musical de Fabiola Bach Akel. Apoio: Ministério da Cultura, Governo Federal, União e Reconstrução.

O Auditório Regina Casillo está situado na Rua Lourenço Pinto, 500, Centro.

BPP recebe evento do lançamento de livro do poeta e artista visual Rollo de Resende

A Biblioteca Pública do Paraná recebe nesta quinta-feira (13) o evento de lançamento do livro “Espáduas” (Telaranha Edições), que reúne a produção poética do escritor e artista visual paranaense Rollo de Resende (1965-1995). O encontro acontece no hall térreo, a partir das 18h30, e inclui um bate-papo com a escritora e jornalista Marilia Kubota e o poeta e pesquisador Francisco Mallmann - autores dos posfácios da obra, organizada pelo jornalista Hiago Rizzi. A entrada é gratuita.

Nascido em Cambará, no Norte do Paraná, Resende se mudou ainda jovem para Curitiba. Participou ativamente do evento Feira do Poeta, no Largo da Ordem, onde vendia plaquetes com seus textos e outros trabalhos de artes visuais. Também integrou o grupo de escritores Baú de Signos e teve poemas publicados em diversas antologias. Morreu aos 30 anos.

Rollo de Resende encarava a própria vida como um ato poético, e essa abertura para o mundo se manifesta em seus textos - que se estruturam como pequenas montagens de frases, palavras, imagens e melodias retiradas do dia a dia. “Espáduas” traz poemas publicados nos livros “Bem Que Se Aviste Racho de Romã” (1988), “Homeopoética” (1991, com Jane Sprenger Bodnar e Fernando Zanella), “Água Mineral” (1995) e “Uma Flor de Lótus” (1998, póstumo), além de materiais extraídos de jornais, revistas, coletâneas e plaquetes.

Alguns poemas de Rollo de Resende são como as canções de Caetano Veloso. Embora ele tenha escrito muitos poemas sobre amor e amizade, nada é explícito e dois e dois podem ser cinco. Há textos que evocam interlocutores, lembrando o viver coletivo na juventude, herança da contracultura. Também há fragmentos, travas, interditos, cruzamentos entre oralidade e escrita. E há os que celebram o homoerotismo, como os de seu livro de estreia, Bem que Se Aviste Racho de Romã”, escreve Marilia Kubota no posfácio de Espáduas.

Curitiba é a casa de três grandes produções cinematográficas nacionais

Curitiba está no roteiro de três grandes produções cinematográficas em 2023: “Estômago 2 - O Poderoso Chefe” (foto), “Torniquete” e “Traição Entre Amigas”, dirigidas por Marcos Jorge, Ana Catarina Lugarini e Bruno Barreto, respectivamente. 

Apesar de sinopses bem diferentes, os três filmes vão movimentar igualmente a economia local. Juntas, as produções devem gerar mais de mil empregos diretos em funções variadas da cadeia do audiovisual.

Jussara Locatelli, presidente da Associação de Cinema e Vídeo do Estado do Paraná (Avec), explica que produções de filmes como esses movimentam a economia do estado e do município de maneira direta e indireta.

Cerca de 67% dos gastos para a produção de um filme impactam indiretamente em outros setores, como hospedagens, alimentação e transporte. E, diretamente, cada filme gera uma enorme movimentação de empregos e do comércio local, tanto pelos profissionais de cinema, como produtores e atores, a construção civil para criação de cenários, costureiras para o figurino, imobiliárias. É uma grande cadeia produtiva”, comenta Jussara.

ESTÔMAGO 2 - Na produção de “Estômago 2” estão envolvidos cerca de 900 profissionais de Curitiba. Desse número, 20 atores, 90 técnicos e 800 pessoas dentro da figuração.

O longa foi filmado em Curitiba, Piraquara e na Itália, numa sequência que acompanha os personagens Raimundo Nonato (João Miguel) e Etcétera (Paulo Miklos) na prisão, 15 anos depois dos acontecimentos do primeiro filme.

Em 2007, “Estômago” levou para as telas a história de Raimundo Nonato (João Miguel), que trabalha como faxineiro em um bar até que descobre seu talento na cozinha. O filme estourou no circuito nacional e também projetou a atriz curitibana Fabiula Nascimento (Iria).

Nesta sequência, o diretor Marcos Jorge escolheu como locação a cidade vizinha de Curitiba para gravar as cenas externas, no Complexo Penitenciário de Piraquara. Em Curitiba, o set de filmagem é dentro de um estúdio, para cenas nos interiores.

“Estômago 2” ainda não tem uma data de estreia, mas a previsão é de que o lançamento seja feito até o começo de 2024.

TORNIQUETE COM MARIETA SEVERO – “Torniquete” é o primeiro longa-metragem de ficção da curitibana Ana Catarina Lugarini. A trama conta a história de três mulheres: Amanda (Sali Cimi), sua mãe Sônia (Renata Grazzini) e sua avó Lucinda (Marieta Severo), lidando com uma traumática invasão domiciliar. A história se passa quase toda dentro de uma casa e há algumas cenas externas em ruas no bairro Ahú.

O projeto nasceu graças ao edital de fluxo contínuo de produção para cinema, do Fundo Setorial do Audiovisual. O desenvolvimento do longa teve início em abril de 2022 com a elaboração do roteiro, escrito pela diretora em parceria com Alice Name-Bomtempo, do Rio de Janeiro.

A produção é majoritariamente composta de profissionais de Curitiba e do Paraná, com algumas pequenas exceções. Dentro do time dos atores, cerca de dez profissionais do elenco de apoio e quase 30 figurantes são curitibanos. A produção é feita pelas empresas Sambaqui Cultural e Veleiro Azul, de Curitiba.

O lançamento do filme em festivais de cinema deve ocorrer no começo de 2024 e nas salas de cinema um ano depois.

DE CURITIBA A NOVA IORQUE: TRAIÇÃO ENTRE AMIGAS - Luiza e Penélope se conhecem no curso de teatro e logo se tornam amigas. Apesar dos temperamentos e sonhos diferentes, elas se dão muito bem. Até que Penélope beija o namorado de Luiza depois de uma festa. Essa é a sinopse do novo filme do cineasta Bruno Barreto, que será filmado em Curitiba.

O filme é inspirado no primeiro livro de Thalita Rebouças, “Traição Entre Amigas”, e vai contar com cenas gravadas em Curitiba e em Nova Iorque.

Conhecido por seus trabalhos em “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1978) e “O Que é Isso, Companheiro?” (1997), que inclusive rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Bruno Barreto comprou os direitos do filme no começo dos anos 2000 e resolveu gravar o longa em Curitiba por admirar a cidade.

A história do livro se passa no Rio de Janeiro, porém resolvi trazê-la para Curitiba para mostrar um bom contraste com Nova Iorque. E também porque estou cansado de todo filme que vem do Brasil mostrar o Rio”, explica Barreto.

A premissa do diretor é trazer um olhar de Curitiba como alguém de fora, mostrando os principais locais da cidade como a Ópera de Arame, o Parque Barigui e até o trem que vai para Morretes. Todas as paisagens organicamente colocadas dentro da história.

O longa já tem confirmada a presença da atriz paranaense Larissa Manoela e ainda irá contar com mais profissionais de Curitiba. Segundo o diretor, a cidade é um dos maiores celeiros de técnicos e atores.

Já tenho dentro do elenco quatro atores aqui de Curitiba. Da equipe técnica, de 85 membros, apenas 15 vêm de São Paulo e do Rio de Janeiro”, afirma Barreto. O filme será gravado em 26 diárias, que começam em maio deste ano.

CURITIBA FILM COMMISSION - Para alavancar ainda mais a cena cinematográfica na capital paranaense, foi instalado em março, o comitê gestor da Curitiba Film Commission. A atribuição desse comitê, formado por várias secretarias municipais, é incentivar, estimular e apoiar a produção audiovisual cinematográfica, televisiva ou publicitária em locais públicos, e favorecer o acolhimento de produções nacionais e internacionais.