sexta-feira, 7 de junho de 2019

Curitiba se transforma na capital do cinema nesta semana


Começou a 8ª edição do Festival Internacional Olhar de Cinema, considerado um dos mais importantes do Brasil. Neste ano, serão apresentadas 131 produções nacionais e internacionais entre curtas, médias e longas-metragens, além de palestras, workshops, oficinas e bate-papos. O evento segue até o dia 13 de junho.
O objetivo é destacar o cinema independente realizado em todo mundo por meio da seleção oficial de filmes com propostas estéticas inventivas e que se arriscam em novas formas de linguagem. Com essa proposta, a programação do Olhar de Cinema conta com 80% de produções ainda inéditas no Brasil.
Neste ano, os filmes selecionados foram divididos em dez mostras: Olhar Retrospectivo, Olhares Clássicos, Foco, Exibições Especiais, Competitiva, Novos Olhares, Outros Olhares, Mirada Paranaense, Pequenos Olhares e Olhares Brasil. A programação completa está disponível neste link.
As exibições acontecem no Cine Passeio, Espaço Itaú de Cinema do Shopping Cystal e Cineplex Batel do Shopping Novo Batel. Os ingressos custam R$ 14,00 e R$ 7,00 (meia-entrada) e podem ser adquiridos nos locais.
A abertura do festival será com o documentário brasileiro inédito “Banquete Coutinho”, de Josafá Veloso, que terá exibição às 20h, no dia 5, no Espaço Itaú.  O festival se encerra com o filme "Breve História do Planeta Verde", de Santiago Loza, uma coprodução da Alemanha, Argentina, Brasil e Espanha, que também será no Espaço Itaú, no dia 12, às 21h.

ATIVIDADES ESPECIAIS - Durante o festival, ainda são realizadas ações voltadas para a formação e atualização dos profissionais da área do cinema e debates com o público por meio de diferentes atividades. Uma delas é o Seminário de Cinema de Curitiba, bate-papos sobre filmes exibidos e o mercado de cinematográfico que acontecerão diariamente no hall do Shopping Novo Batel, com entrada gratuita. Você encontra a programação aqui.
Outra atividade é o 3º Fórum Paranaense de Paranaense de Cinema, nos dias 7 e 8 de junho, na Cinemateca de Curitiba, que irá debater políticas públicas para o audiovisual. A entrada também é gratuita.
O Curitiba_LAB é mais uma ação do festival que promove uma tutoria de projetos cinematográficos selecionados previamente ao evento. Produtores, roteiristas, diretores passarão, ao longo de cinco dias, por acompanhamento e orientação de profissionais de cinema, que apontarão forças e fraquezas de cada projeto. O festival ainda realizará oficinas sobre o mercado cinematográfico, mas elas já estão com as vagas esgotadas.
A realização é uma parceria entre o Festival Olhar de Cinema com a Associação de Vídeo e Cinema do Paraná – Avecpr e o Mestrado em Cinema e Artes do Vídeo Unespar. O festival conta ainda com apoio da Lei de Incentivo à Cultura.


Documentário sobre as “casas” do Corinthians chega às salas da Cinemark


O esperado documentário do Timão, que conta a trajetória do clube até a construção da Arena Corinthians, chega às salas da Cinemark nesta quinta-feira, dia 6 de junho. “A História de um Sonho – Todas as Casas do Timão” faz parte do Projeta às 7, uma sessão especial da Cinemark em parceria com a distribuidora Elo Company que incentiva o cinema nacional.
Em Curitiba, as sessões acontecem na Cinemark do Shopping Mueller até o dia 12 de junho, de segunda a sexta-feira, às 19h, com ingressos a R$ 12,00 – sócios torcedores do timão pagam meia-entrada.
Dirigido por Marcela Coelho e Ricardo Aidar, o filme conta com entrevistas de ídolos, como Vampeta, Marcelinho Carioca e Cássio. “A História de um Sonho – Todas as Casas do Timão” mostra a habilidade do Sports Club Corinthians de transformar todo estádio em que se apresenta em sua casa, e também relembra as origens do time no Campo do Lenheiro e Fazendinha.
Além de ex-jogadores, o documentário traz depoimentos de torcedores e da comissão técnica, que relembram grandes jogos em estádios como o antigo Palestra Itália, a Vila Belmiro e o Yokohama, no Japão.

Espetáculo de dança "White You Sleep" tem única apresentação no Fernanda Montenegro


O espetáculo "While You Sleep" faz única apresentação nesta sexta-feira (7), às 20h, no Teatro Fernanda Montenegro. A coreografia é um trabalho em conjunto do curitibano Gabriel Braga e da americana Cat Cogliandro – dois coreógrafos que são expoentes da cena de dança contemporânea mundial –, fruto do Project H[u]mans. No elenco, bailarinos brasileiros acompanham os coreógrafos da obra.
Natural de Houston, no Texas, Cat Cogliandro despontou no cenário da dança em 2014, ao participar dos reality shows So You Think You Can Dance e America’s Got Talent. Cat atualmente se divide entre palcos e aulas que ministra no Broadway Dance Center de Nova York. A coreógrafa encontrou em Gabriel Braga a complementaridade que buscava em sua criação artística. Braga, por sua vez, é reconhecido por seu estilo único de dança, conquistado através de estudos de hip hop e dança contemporânea em que preza pela originalidade de movimentos.
O espetáculo “While You Sleep” é uma licença poética da história de “Alice no País das Maravilhas”. A personagem principal também é uma garota que adormece e mergulha na toca do coelho. Mas, diferentemente da Alice de Lewis Carroll, a personagem do espetáculo é recebida por um grupo de jovens que a apresentam a ideias (e esperança) de uma revolução social.
Os temas retratados no espetáculo tocam pesadamente e sem medo nas injustiças sociais, desigualdades, questões sobre direitos civis e corrupção política. "Esses são temas difíceis e desconfortáveis de abordar, mas nosso foco é espalhar consciência e tornar normais os debates sobre violência armada, movimento feminista, violência contra LGBTQ+, educação, doença mental e muito mais", afirma Braga. "Nosso objetivo é acender as centelhas de mudanças, para expandir a consciência coletiva e inspirar ações necessárias", explica. E Cat emenda: "Nós acreditamos que a arte é o veículo mais forte e suficiente para o que estamos tentando comunicar. O amor é a nossa missão. Depende de nós criarmos um mundo mais seguro para a nossa geração e as que seguem", diz.
Os ingressos para a apresentação custam R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia-entrada) e podem ser adquiridos antecipadamente na loja Beco da Dança (rua Barão de Antonina, 269) e na academia de dança Cenário Espaço Arte (rua Barão de Antonina, 254). Também há o sistema de reserva de ingressos: os interessados devem enviar um e-mail para weareprojecthumans@gmail.com e retirar os tickets na bilheteria do teatro uma hora antes do início do espetáculo.


segunda-feira, 3 de junho de 2019

Exposição inédita em Curitiba celebra Itália com arte em seda


Diferentes facetas da Itália retratadas com muita arte num suporte inusitado: lenços de seda, também chamados de “foulards”. É isto que traz para Curitiba a exposição “2.8 Seta-Re”, que chega ao Brasil após ter sido apresentada em cidades italianas. A mostra fica em cartaz na capital paranaense até o dia 9 de junho, com entrada gratuita, no Solar do Rosário.
A exposição faz parte da programação oficial do Mia Cara 2019, evento que celebra a cultura italiana. Na mostra “2.8 Seta-Re”, quatro artistas foram convidados a criar estampas que apresentassem diferentes aspectos da cultura daquele país, tendo como curadoras a curitibana Consuelo Cornelsen e a italiana Nadia Calzolari. A mostra reúne trabalhos dos artistas Fernando Canalli, André Brik, Eduardo Bragança e Thiago Goms.
A “2.8 Seta-Re” traz um intercâmbio entre os países e formas de expressão. "O mundo não tem mais fronteiras", comenta Consuelo. "Hoje, tudo converge: arte, inovação, história, conhecimento, tecnologia, culturas, Itália e Brasil, Paraná e Bologna, seda e arte. Esse é um projeto inspirado nessas convergências, que busca criar novos pontos de contato e troca entre culturas diferentes", explica a curadora.
A Itália, país que valoriza cultura, arte e beleza há séculos, entra em contato com o Brasil, mais especificamente com a seda produzida em Maringá com o casulo de maior prestígio, Bombyx Mori. Os artistas convidados se encarregaram então de soltar a imaginação para criar as estampas, retratando ícones italianos em arquitetura, gastronomia, paisagens, arte e moda, entre outros.
A mostra foi apresentada inicialmente na Itália, em províncias como Reggio Emilia e Correggio, no Palazzo della Seta, e na FICO Eataly World, um dos maiores polos turísticos voltado à gastronomia da Itália. Agora chega ao Brasil completa, com 16 desenhos de cada um dos quatro artistas. O nome da exposição faz referência à data e ao local onde a seda chegou na Itália. Segundo a história, no dia 2 de Agosto de 1502 a nobre italiana Lucrécia Bórgia levou a seda para o país europeu. Seta significa seda, em italiano. O “Re” faz alusão à região de Reggio Emilia.

ARTISTAS COMENTAM - Fernando Canalli busca inspiração na leveza da seda unida ao movimento do desenho, refletindo famosas construções italianas. "O foulard (lenço) permite que arquitetura e arte se tornem um elemento de identidade de uso cotidiano e representam a nossa busca incessante por símbolos, autenticidade e individualidade", comenta o artista.
André Brik brinca com texturas e volume em seus desenhos, com toque de humor. "Meu trabalho tem relação com surrealismo e naturezas mortas, gosto de brincar com o formato das coisas, então a culinária italiana foi meu tema", explica.  "Nós de Curitiba nos identificamos muito com a cultura italiana, em especial à gastronomia, e me senti privilegiado de poder expressar isso", completa o artista.
O português Eduardo Bragança fugiu do tradicional expressionismo abstrato de seu trabalho para alcançar um paradigma mais realista nos lenços. O artista criou paisagens italianas e trabalhou muito com as cores da bandeira daquele país. Sobre ter participado do projeto, afirmou: "Acho isso ótimo para o fomento e atenção do público, tornar o foulard produto de uso, produto artístico e dignificar a mensagem".
Thiago Goms, conhecido por personagens humanos com cabeças de gato, trouxe este conceito para os trabalhos. "Esta série começou há algum tempo com a ideia de pessoas que tentam ser livres dentro da sociedade e se arriscam a serem menos domésticos, viverem do que acreditam", conta. Os felinos humanizados visitam pontos turísticos e andam de clássicos veículos italianos em suas imagens.

A exposição “2.8 Seta-Re” ficará em cartaz até o dia 9 de Junho, no Solar do Rosário, na Rua Duque de Caxias, nº 4 - Centro Histórico de Curitiba. A mostra pode ser visitada gratuitamente, de segunda a sexta, das 9h às 19h30; aos sábados, das 9 às 13h; e aos domingos, das 10h30 às 14h. A realização é da Embaixada da Itália no Brasil, do Consulado Geral da Itália em Curitiba, com produção de Lucia Casillo Malucelli, do Solar do Rosário, espaço particular de arte e cultura em Curitiba. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cidadania com patrocínio master da Havan e patrocínio ouro da Unicesumar e do Casillo Advogados. Mais informações no site www.miacara.com.br.

Museu Casa permite conhecer vida e obra de Alfredo Andersen


A casa que serviu como residência para o pintor norueguês Alfredo Andersen, considerado o pai da pintura paranaense ao radicar-se no Estado em 1892, é um daqueles pequenos museus que guardam raridades, história e retratam ainda facetas íntimas do artista que viveu e criou no casarão da Rua Mateus Leme, 336. O edifício de 262m², do final do século 19, é um dos tesouros do centro histórico de Curitiba, com sua arquitetura eclética e características do estilo neoclássico, oriunda dos imigrantes alemães que se fixaram em Curitiba.
Ao passear pelo Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA), o visitante não verá apenas suas 33 pinturas e 30 desenhos expostos na mostra permanente "Alfredo Andersen: in situ/em trânsito", mas poderá ter ideia de como Andersen, que chegou ao casarão em 1915, viveu com seus quatro filhos e com a esposa, Anna de Oliveira: o andar térreo do museu e o fundo do quintal eram a casa do pintor. O ateliê funcionava no segundo piso e foi ali que, até 1935, ele ensinou alunos como Estanislau Traple, Maria Amélia D’ Assumpção, Inocência Falce, entre outros.
"Esta exposição redimensiona a obra de Andersen por meio de um olhar crítico que elabora a sua significação artística como pintor pioneiro no Brasil. Um legado que se abre a diferentes leituras: a viagem em alto mar e os marinheiros, a formação da paisagem, o íntimo enquadramento das vivências e gestos do cotidiano nas cenas de gênero. Seu domínio aprumado na execução de retratos, no qual se destacou, seja por encomenda de autoridades ou pintando populares, familiares e amigos fez proliferar a sua produção", explica a coordenadora do Setor de Pesquisa do MCAA, Cristiane Kussmann.

INTIMIDADE - Além de revisitar os próprios cômodos da casa onde o artista viveu, o visitante verá ainda fotografias de Andersen, livros da biblioteca pessoal, desenhos, entre outros itens iconográficos. Em cada uma dessas salas é possível acessar informações em áudio via QR Code, o que permite interatividade e conhecimento mais aprofundado da trajetória de Andersen.

AS PRINCIPAIS PINTURAS - Fora a sua dedicação para a paisagem, uma marca forte na obra de Andersen foi o cotidiano, grande protagonista de seus quadros. Uma dessas cenas é retratada em "Lavando Roupa", com a esposa e uma das filhas na lida doméstica protegidas por um guarda-sol. "Duas Raças" é outro trabalho icônico, afirma a coordenadora do setor de pesquisa do MCAA, Cristiane Kussmann. "É uma pintura de gênero que remete à experiência social da família de Andersen, ao passo que 'Lavando Roupa' traz a admiração, por parte do pintor, da vida doméstica", fala. Outro trabalho muito conhecido é o autorretrato de Andersen, no qual é possível observar o olhar e a sensibilidade do artista em relação a si (essas três obras também estão disponíveis na versão tátil).
Cristiane também destaca o vídeo "ex-professo" de Eliane Prolik e Larissa Schip, presente em uma das salas. Ele apresenta, de maneira poética, a totalidade da obra de Andersen. "Em conexão, na entrada do museu se localiza uma vitrine suspensa com materiais próprios do ofício de pintor, como paletas, frascos de cores, caixas ou pequenos moldes",  indica a coordenadora.

HISTÓRIA - O Museu Casa Alfredo Andersen começou como uma sociedade instituída no dia 3 de novembro de 1940 com o objetivo de criar uma unidade museológica para preservação da obra de Andersen, concretizada em 1959 com a abertura da Casa de Alfredo Andersen, em 1959. Depois de 20 anos, a instituição passou a ser denominada Museu Alfredo Andersen. Em 1971, a edificação foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná. Foi restaurada em 1988 e outro em 2018 – quando passou então a se chamar Museu Casa Alfredo Andersen, valorizando o conceito de museu casa e oferecendo ao visitante a perspectiva do estilo de vida do artista. Além disso, a reforma modernizou aspectos de acessibilidade (incluindo audiodescrição dos textos expográficos e obras táteis), rampa de acessibilidade e piso podotátil.

O Museu Casa Alfredo Andersen está situado na rua Mateus Leme, 336, Centro. A visitação acontece de terça a sexta-feira, das 9h às 18 horas; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16 horas. A entrada é franca. Mais informações: 3222-8262 ou www.mcaa.pr.gov.br.


"Fazedor" de pipas usa Casa da Leitura para dar asas à imaginação


Se a literatura faz a imaginação voar, a Casa da Leitura Jamil Snege tem ajudado a colocar algumas asas no céu. Há três anos, Osny Bezerra usa o espaço cultural da Prefeitura de Curitiba, na Rua da Cidadania Fazendinha, para criar pipas - ou “planadores”, como prefere chamar.
A descoberta da Casa da Leitura foi uma consequência natural na vida desse ex-motorista de ônibus, que era frequentador da Biblioteca Pública do Paraná, no Centro, e também dos Faróis do Saber da cidade. “Moro aqui perto, no Fazendinha, gosto de ler e passei a frequentar a Casa da Leitura, lugar que me inspira, traz tranquilidade e com uma equipe maravilhosa. Foi aqui que tive a ideia de começar a fazer os planadores”, conta.
Na quietude da mesa de leitura, Osny cria os desenhos que são passados para um papel fino. Cada pedaço é recortado e depois grudado parte por parte na base até ganhar forma de aves, borboletas, super-heróis, flores e tantas outras imagens que vão subir e colorir o céu.
A estrutura, o formato para dar aerodinâmica, o material e todos componentes dos planadores são fruto de pesquisa e de testes desenvolvidos por Osny. “Vou ao Parque Cambuí, aqui perto, para fazer os testes e não admito uso de linha cerol”, avisa Osny. Para fazer uma pipa, ele leva de duas a três horas de trabalho manual.
Osny vendia o brinquedo na feira de artesanato do Jardim Botânico, mas resolveu sair para outros lugares. Além de Curitiba, agora vai para outras cidades, como São José dos Pinhais, na Região Metropolitana, e Joinville, em Santa Catarina. “É meu ganha-pão e minha terapia”, fala.
Para Thiago Correa, responsável pela da Casa da Leitura Jamil Snege, a presença quase diária de seu Osny no local é uma forma de apropriação do espaço cultural. “A leitura deve ser vista como arte e o trabalho dele (Osny) é uma construção própria de arte. É muito válido que isso ocorra aqui dentro”, defende.
Curitiba conta com 17 Casas de Leitura espalhadas por todas as regionais. Os espaços são administrados pela Fundação Cultural de Curitiba e disponibilizam serviços culturais e literários, como empréstimo de livros, rodas de leitura, oficinas de criação literária e de contação de histórias.
O cadastro para empréstimo de livros é feito mediante apresentação de comprovante de endereço, RG e autorização dos pais, quando menor de 16 anos.

A Casa da Leitura Jamil Snege está situada na rua Carlos Klemtz, 1700 (Rua da Cidadania da Fazendinha) e fica aberta de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30. Pode ser frequentada por qualquer pessoa, de qualquer idade.

CineMIS homenageia o cinema musical em junho


O Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) vai homenagear, ao longo de todo o mês de junho, um gênero cinematográfico considerado anacrônico por muitos. Todas as terças e quintas-feiras, agora em horário novo, às 16 horas, e com entrada franca, o CineMIS exibirá grande clássicos de diversas nacionalidades. A primeira sessão, que acontece nesta terça-feira (4), traz o clássico “Amor, Sublime Amor” (West Side Story, 1961), codirigido pelo cineasta Robert Wise e pelo coreógrafo Jerome Robbins, baseado no espetáculo assinado por Leonard Bernstein e inspirado por Romeu e Julieta, tragédia de William Shakespeare.
Vencedor de dez Oscars, incluindo melhor filme e direção, “Amor, Sublime Amor” conta a história de amor impossível entre Maria (Natalie Wood), de origem porto-riquenha, e Tony (Richard Beymer), anglo-saxão. A história se passa em uma Nova York ao mesmo tempo multirracial e segregada. Essa divisão é central na trama. Segundo a diretora do MIS-PR, Cristiane Senn, o filme “coloca o drama shakespeariano como base para uma operação estética do gesto”. Por isso, o trabalho coreográfico extraordinário de Robbins foi reconhecido com o crédito de direção.
Para Cristiane, é importante resgatar o musical como um dos gêneros fundamentais da sétima arte. “O primeiro filme sonoro da história do cinema, ‘O Cantor de Jazz’, de 1927, é um musical. Musicais nascem, portanto, como filmes falados, cantados, coreografados, extremamente decorados e dramatizados. Nesse sentido, podem ser tomados como filmes que evidenciam estruturas formais que vieram a localizar definitivamente o cinema na indústria do espetáculo”.
Para muitos, constata a diretora do MIS-PR, o musical é um gênero que deixou de fazer sentido. “Creio que a repulsa vem do fato de que o esforço da crença na narrativa é maior do que num filme tido como ‘realista’”.
A programação de junho do CineMIS procura demonstrar algumas variáveis possíveis dentro do gênero musical. Além de clássicos como “Amor, Sublime Amor”, serão exibidas obras contemporâneos como “O Buraco”, do diretor malasiano Tsai Ming-Liang, que, segundo Cristiane, “transforma os números musicais em parênteses narrativos, adição de camadas emocionais totalmente apagadas nos outros momentos do filme”.
A programação passeia também por incursões brasileiras no gênero: “A Ópera do Malandro”, produção de Ruy Guerra, uma adaptação cinematográfica da peça musical homônima de Chico Buarque de Hollanda; e o recente “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, uma comédia musical sarcástica com composições musicais originais. Integram a grade o filme teuto-francês “Duas Garotas Românticas”, de Jacques Demy, a comédia oitentista “Os Irmãos Cara-de-Pau” (foto), de John Landis, e o musical histórico “O Baile”, do italiano Ettore Scola.

PROGRAMAÇÃO:

04/06: Amor, Sublime Amor (West Side Story, Robert Wise 1961, 153’, classificação: livre)

06/06: Duas Garotas Românticas (Les Demoiselles de Rochefort, Jacques Demy, 1967, 128’, classificação: livre)

11/06: Os Irmãos Cara-de-Pau (The Blues Brothers, John Landis, 1980, 148’, Classificação: 12 anos)

13/06: O Baile (Le Bal, Ettore Scola, 1983, 112’, classificação: livre)

18/06: Ópera do Malandro (Ruy Guerra, 1985, 109’, classificação: livre)

25/06: Sinfonia da Necrópole (Juliana Rojas, 2014, 85’, classificação: 10 anos)

27/06: O Buraco (Dòng, Tsai Ming-Liang, 1998, 95’, classificação: 18 anos)

O Museu da Imagem e do Som do Paraná está situado na rua Barão do Rio Branco, 395, Centro. Mais informações: 3232-9113 ou www.mis.pr.gov.br.