quinta-feira, 9 de junho de 2022

Grupo Lanteri apresenta “Paixão de Cristo” no feriado de Corpus Christi, em Araucária

Após dois anos sem ser apresentada, por conta da pandemia da Covid-19, a tradicional encenação da “Paixão de Cristo” do Grupo Lanteri, de Curitiba, este ano será realizada no feriado de Corpus Christi, dia 16 de junho, às 19h, no Parque Cachoeira, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).  

Será a primeira vez que o espetáculo, que teve início na Vila São Paulo/Uberaba, em Curitiba, em 1978, não será realizado na Sexta-Feira Santa. A apresentação deste ano será a 43ª montagem realizada pelo grupo, envolve cerca de 1.200 mil voluntários entre atores, técnica e produção e atrai, em uma única apresentação, um público superior a 20 mil pessoas.

A entrada é gratuita, mas quem quiser poderá contribuir doando 1kg de alimento não perecível ou um agasalho que será doado via Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense). De acordo com a produção do Grupo Lanteri, mesmo com chuva haverá apresentação. 

A beleza do Parque Cachoeira enriquece ainda mais o espetáculo, assisti-lo em meio à natureza é uma experiência única. Estamos emocionados em poder voltar com a apresentação, será bem significativo fazer no feriado de Corpus Christi, data que convida os cristãos à reflexão sobre a obra de Cristo”, comemora Edson Luiz Martins, diretor de produção do Grupo Lanteri.

No que depender da Prefeitura, estamos dando o apoio necessário para que, mais uma vez, os moradores de Araucária, e também os visitantes, possam ver esse belo espetáculo. Será uma apresentação fora de época, mas, com certeza, mantendo a qualidade, a emoção e a mensagem de esperança que ela nos traz”, destaca Hissam Hussein Dehaini, prefeito de Araucária. 

A encenação é composta por 31 cenas que narram a vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua morte, ascensão e ressureição. A duração do espetáculo é de 2 horas. A estrutura do espetáculo comporta sete palcos que somam 1.200 m².

Buscamos sempre trazer novidades ao trabalho, este ano incluímos cenas novas como o encontro de Jesus com a Mulher Siro-Fenícia e Jesus com a Samaritana. Nossa intenção é contar mais detalhes sobre a vida desse homem que foi um marco na história da humanidade e até hoje continua nos influenciando, através de suas ideias, posturas, atitudes, comportamento e ensinamentos”, revela o diretor geral, Aparecido Massi.

O acesso ao parque é livre, o público poderá chegar cedo para garantir um bom lugar. A “Paixão” será encenada às 19h, mas a partir das 18h15 atores do grupo farão performances com cenas extras para entreter o público e prepará-lo para o clima do espetáculo.

Para facilitar o acesso ao Parque, no dia da apresentação, além de reforço nas linhas de ônibus que já circulam na região, haverá também linha especial com saída do Terminal Central de Araucária até o local do evento. Para quem for de carro, o tempo estimado do centro de Curitiba até o Parque Cachoeira é de 40 minutos. 

A “Paixão de Cristo” é um projeto realizado pelo Grupo Lanteri, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo, com apoio da Prefeitura Municipal de Araucária. Patrocínio: Sanepar, Copel e Governo do Estado do Paraná.  

GRUPO LANTERI - O Grupo Lanteri há mais de 40 anos ocupa lugar de destaque no cenário cultural de Curitiba pela qualidade do seu trabalho e de suas propostas inusitadas, levando cultura à grande massa popular. Desde sua origem, o grupo mantém como característica principal “o teatro feito pelo povo para o povo”. Seus integrantes são voluntários, pessoas de todas as idades, religiões e classes sociais. A qualidade artística oferecida pelo grupo e a dedicação de seus inúmeros participantes cria uma relação íntima entre espectador e espetáculo, fato que se repete todos os anos. E esta identificação público-espetáculo atrai sempre novos integrantes.

Mais informações: www.grupolanteri.com.br / 99935-8698 ou 99623 -9464.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Grande Auditório do Canal da Música retoma as atividades em noite de gala

As cortinas do imponente Grande Auditório do Canal da Música, em Curitiba, voltaram a subir após um hiato de cinco anos. Um dos mais importantes palcos da cultura paranaense estava interditado desde 2017 e reabriu as portas na noite desta terça-feira (7) com o espetáculo “A Brasilidade do Artista Paranaense”.

E foi um retorno de gala para o local que já recebeu grandes espetáculos ao longo de quase duas décadas de existência. A noite contou com apresentações da Escola de Dança do Teatro Guaíra, Balé Teatro Guaíra, Orquestra Sinfônica do Paraná, além do grupo Cordas do Iguaçu e do acordeonista João Pedro Teixeira, em uma homenagem ao multi-instrumentista Hermeto Pascoal, que chegou a comemorar um aniversário no espaço.

Essa reabertura atende a uma das diretrizes para a cultura da gestão Carlos Massa Ratinho Junior, que é alcançar cada vez mais públicos e chegar cada vez mais longe, descentralizando os espetáculos. A partir de agora, o espaço passa a ser gerenciado pelo Palco Paraná, serviço social autônomo sem fins lucrativos.

É o grande momento da cultura, de retomar a vida deste palco e fazer com que os artistas também retomem suas vidas após essa pandemia. Um local como o Canal da Música jamais poderia estar fechado. Que agora ele retome seus grandes momentos”, destacou o governador em exercício Darci Piana, que participou da reinauguração.

O objetivo é ser um Estado inovador e também levar qualidade de vida para as pessoas. Para isso, a cultura é fundamental e o Canal da Música é fundamental”, completou.

A reativação do Canal da Música é um projeto da Secretaria da Comunicação Social e da Cultura (SECC). As obras de readequação, iniciadas em 2019, deram uma nova cara ao espaço, que passa a comportar até 740 pessoas. Foram feitas reformas no telhado e um novo projeto contra incêndio para regularizar a situação junto ao Corpo de Bombeiros, o que impedia o complexo de receber público. O hall de entrada ganhou um painel do artista Toto Lopes com símbolos paranaenses.

Esse espaço cultural não estava sendo utilizado, mas agora volta para as mãos do público e dos artistas. Isso é muito gratificante. Todo mundo tem uma memória afetiva desse auditório, lembra de um show, de um espetáculo. O Canal da Música está de volta”, afirmou o secretário de Estado da Comunicação Social e da Cultura e diretor-presidente da RTVE, João Evaristo Debiasi.

É um espaço que se soma às instituições culturais do Estado e que recupera o seu papel original de receber o público e as variadas manifestações artístico-culturais”, acrescentou. “A cultura também é uma matriz econômica que ajuda o Paraná a bater recordes na geração de empregos, e o Canal será muito importante nessa retomada das atividades”.

Ele ressaltou que a Rádio e TV Educativa, Palco Paraná e Centro Cultural Teatro Guaíra trabalharam juntos nas ações que permitiram a reabertura do auditório. “Houve uma sinergia muito grande de uma equipe multidisciplinar, sob orientação da SECC, para que o Canal da Música retomasse às atividades, algo que agora fica como legado”, disse o secretário.

Além da música, que dá nome ao espaço, o Grande Auditório vai agregar outras linguagens artísticas na programação e eventos da iniciativa privada, mediante locação, nos mesmos moldes do Guairão.

É fantástico poder devolver o Canal da Música à população. Um espaço plural, para exposições, dança, balé, orquestra, shows, teatro, cinema... Enfim, um Canal multilinguagem”, reforçou a superintendente-geral da Cultura do Paraná, Luciana Casagrande Pereira.

Esse auditório contará com uma programação variada, procurando resgatar um dos principais propósitos que motivaram a sua criação: ações formativas por meio de oficinas, workshops, eventos e outras atividades neste sentido”, completou.

HISTÓRIA – Inaugurado no dia 30 de junho de 1998 nas antigas instalações de uma emissora de TV, o Canal da Música foi criado para ser ao mesmo tempo um palco e centro de formação para a música erudita e popular brasileira. Com três auditórios na época – com 940, 154 e 117 lugares –, e quatro salas de audição, o complexo contava também com salas de ensaio, biblioteca e sala multimídia. Os estúdios da rádio e da TV do Estado foram posteriormente transferidos para o prédio – os veículos estatais de comunicação ainda estão instalados no complexo.

Durante duas décadas, o Canal da Música foi cenário de festivais e shows icônicos como espetáculos infantis, Festival de Dança de Curitiba, orquestras, Oficina de Música e até eventos com estrelas internacionais como o Heineken Concerts. Já se apresentaram no Canal da Música Mônica Salmaso, Projeto Pixinguinha, Luiz Melodia, Cordel do Fogo Encantado, Ivan Lins, Hamilton de Holanda, Yamandu Costa e Marcelo Camelo, entre outros.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Historiador Renê Wagner Ramos lança livro sobre o governo de Bento Munhoz da Rocha na BPP

O professor e historiador Renê Wagner Ramos lança nesta segunda-feira (6), no auditório da Biblioteca Pública do Paraná, o livro “O Paraná Moderno de Bento Munhoz da Rocha - Ações para Implantação de Novo Modelo Agrário (1951-1955)”. Realizado com o apoio da Fundação Araucária e da Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) do Governo do Paraná, o evento inclui uma palestra com o autor, a partir das 18h. A entrada é gratuita.

A obra analisa o período em que o engenheiro e professor Bento Munhoz da Rocha Netto (1905-1973) governou o Paraná, com foco na introdução de um novo projeto agrário - que teve como base as colônias agroindustriais e o cooperativismo e fez o estado investir em infraestrutura de energia, transportes, educação e saúde. "O livro apresenta como foi implantado o modelo de agroindustrialização do campo paranaense. Foi o início do que anos mais tarde recebeu o nome de agronegócio”, resume o autor.

Doutor e mestre em História, Renê Wagner Ramos é professor de História e Geografia Efetivo da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed) e assessor na Coordenação de Ensino Superior da Seti. Foi coordenador do Sistema de Museus do Paraná (2019-2020), conselheiro estadual da Cultura (2015-2017) e coordenador de estudos e pesquisas da Seed (2011-2014). Publicou, entre outros livros, “Cem Anos da Missão Capuchinha no Paraná e Santa Catarina” (com Jacira Aparecida de Campos Ramos) e “ Impacto da Construção da Usina Hidrelétrica Governador Ney Braga na Região do Médio Iguaçu”.

A Biblioteca Pública do Paraná está situada na rua Cândido Lopes, 133, Centro. Mais informações: (41) 3221-4980 ou www.bpp.pr.gov.br.

Nova exposição no Museu da Gravura mostra relação entre animais e seres humanos

Domésticos, urbanos, selvagens, animais de formas variadas estão habitando temporariamente as paredes do Museu da Gravura, no Solar do Barão. “Bichos Vizinhos”, a nova exposição do espaço, reúne obras de sete artistas e mostra aspectos do animal na natureza e também no cotidiano dentro de casa.

O trabalho também traz uma intervenção de Jozé Roberto da Silva em uma parede. O artista usa a figura do animal em tamanho natural para questionar algumas posições sociais, usando pregos para realizar o desenho.

A exposição fica em cartaz até 5 de agosto. Com entrada de graça e livre, pode ser visitada de terça a sexta-feira (h às 12h e das h às 18h) e sábados, domingos e feriados (12h às 18h).

PANDEMIA E PERDA – “Bichos Vizinhos” é um projeto idealizado pelo artista e biólogo Dalton Reynaud, quando era orientador de desenho no Museu da Gravura. A chegada da pandemia paralisou os trabalhos dos artistas.

Em julho de 2021, Dalton faleceu, vítima da covid-19. “Foi um baque para nós. Conversamos com a equipe, e achamos que seria legal continuar a ideia dele, já que é um projeto que ele investiu tanto tempo”, comenta Lahir Ramos, curadora da exposição.

A maioria dos trabalhos foi feita pelos artistas em suas casas. Lahir explica que cada artista trabalhou de forma independente, e esse processo resultou em uma pluralidade nas obras.

Cada um pode apreciar a pesquisa de cada artista, já que cada uma tem sua peculiaridade. A gente está perto dos bichos, mas quando olha uma imagem que mostra um aspecto diferente dele, isso pode ser provocativo”, disse a artista.

Os trabalhos expostos em Bichos Vizinhos são de autoria de Dalton Reynaud (in memoriam), Jéssica Luz, Jozé Roberto da Silva, Juliana Leonor Kudlinski, Luciano Ogura, Maria Lucia de Julio e Vinícius Buzzatto.

O Museu da Gravura Cidade de Curitiba está situado no Solar do Barão (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533, Centro) e tem entrada franca.

Oficina de Música renova elenco de professores e traz jovens talentos para Curitiba

O alto nível dos professores e o baixo custo dos cursos (entre R$ 30 e R$ 100) são o principal atributo da Oficina de Música de Curitiba. Nesta 39º edição, de 30 de junho a 10 de julho, o evento contará com um elenco renovado de professores das diferentes vertentes musicais.

As inscrições para alguns cursos ainda estão abertas e podem ser feitas pelo site www.oficinademusicadecuritiba.pr.gov.br.

A edição de 2022 priorizou professores que são destaques contemporâneos no universo erudito e popular. “Muitos dos convidados deste ano estão vindo pela primeira vez, mas, como sempre, consideramos as trajetórias profissionais e performáticas, bem como a atuação desses artistas nas principais escolas de música e universidades do país e do mundo”, comenta Janete Andrade, coordenadora geral do evento.

JOVENS E PREMIADOS - Um dos talentos que vai desembarcar em Curitiba para ensinar na Oficina de Música é o pianista Cristian Budu, que esteve no elenco de professores do evento em 2020. Ele foi o primeiro brasileiro a vencer o concurso internacional de Piano Clara Haskil, na Suíça. A conquista, em 2013, foi considerada pelos críticos o maior feito de um pianista brasileiros nas últimas três décadas. Na época, ele tinha 25 anos.

Outro destaque desta 39ª edição, estreante no evento, é o pianista polonês Raphael Luszczewski, que desde 2001 é um Steinway Artist - título concedido por uma das maiores fabricantes de pianos do mundo, a Steinway. Atualmente, Luszczewski é um dos melhores artistas do repertório de Chopin e um dos maiores pianistas de sua geração.

A brasileira Erika Ribeiro (foto) completa o time da nova geração de pianistas que estarão nas salas de aula da Oficina de Música de Curitiba.

TALENTO E ATIVISMO - Iberê Carvalho é outro jovem talento da cena erudita que chega pela primeira vez para ministrar aulas na Oficina de Música de Curitiba. O violista paraibano é diretor do Festival Independente de Música de Câmara da Paraíba e solista na Orquestra Orso, em Berlim e Freiburg, na Alemanha.

Premiado em vários festivais e concursos brasileiros, Iberê é mestre pela Universidade de Frankfurt de Música e Artes Cênicas. Fora dos palcos, mantém, produz e apresenta o programa Sons, Notas e Identidade, que dá visibilidade a artistas pretos e pretas do cenário da música de concerto no Brasil e no mundo.

MÚSICA ANTIGA - Na categoria de Música Antiga, a 39ª Oficina de Música contará com nomes da nova geração de músicos internacionais que tocam em orquestras europeias ou são professores em escolas renomadas.

Entre os cursos mais aguardados estão o de flauta doce, com Inês de Avena; fagote barroco, com Tomasz Wesolowski; cravo e clavicórdio, com Menno van Delt; oboé barroco, com Josep Domènech Lafont; violino, com Julia Kuhn; e violoncelo, com Anderson Fiorelli.

São dez cursos de Música Antiga e todos serão ministrados on-line, devido aos professores da área serem estrangeiros. As aulas serão transmitidas ao vivo, com possibilidade de interação entre aluno e professor por meio da plataforma Microsoft Teams e tradução simultânea. Esse mesmo método foi utilizado na edição passada da Oficina de Música, durante a pandemia da covid-19.

PARCERIAS - A 39ª Oficina de Música de Curitiba é uma realização da Prefeitura, Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo Pátria Amada Brasil, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, do Banco Nacional de Desenvolvimento de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Sistema Fiep/Sesi e patrocínio da Volvo do Brasil.

Também apoiam o evento: Centro Cultural Teatro Guaíra, Comunidade Evangélica Luterana Igreja de Cristo, Família Farinha, Escola de Música e Belas Artes do Paraná – Campus Curitiba I da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Teatro Regina Casillo e Lamusa-UFPR.

Inscrições para os cursos da 39ª Oficina de Música de Curitiba

Até 31 de maio – cursos presenciais com processo seletivo

Até 20 de junho – cursos EAD e cursos presenciais sem processo seletivo

Valor: R$ 100 (cursos presenciais) e R$ 30 (cursos à distância).

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Biblioteca Pública recebe lançamento de livro sobre saúde mental dos jornalistas

A Biblioteca Pública do Paraná recebe nesta sexta-feira (3) o evento de lançamento de "Reporta-me: Livro-Reportagem Sobre os Desafios Psicológicos dos Jornalistas", de Madu Antunes.

A obra debate a questão da saúde mental no meio jornalístico, a partir dos relatos de 12 profissionais brasileiros. O encontro acontece no hall térreo, às 18h, e inclui um bate-papo com a autora e os repórteres Mauri König e Felippe Aníbal, que concederam depoimentos para o projeto. A entrada é gratuita.

Concebido logo após as eleições de 2018 e escrito durante o auge da pandemia da Covid-19, a obra aborda, sob um pano de fundo político, temas como ética, assédio, racismo, esgotamento mental e adicção. Daniela Arbex, Rodrigo Henrique Costa da Silva, Giorgia Prates, Izabella Camargo, Evandro Almeida Jr. e Lúcia Nórcio são alguns dos jornalistas ouvidos pela autora.

Ao contrário do que se pensa, olhar para si não significa perder a objetividade. Quando fazemos esse exercício tudo flui melhor para falar sobre o outro”, diz Madu Antunes, que também é jornalista, sobre a importância da discussão levantada pela obra.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

MON apresenta exposição de Juarez Machado que retrata trajetória do artista

A exposição comemorativa “Juarez Machado – Volta ao Mundo em 80 Anos”, que será inaugurada no Museu Oscar Niemeyer nesta quinta-feira (2), apresenta a obra de um dos mais representativos e importantes artistas brasileiros. O multiartista catarinense tem sua história ligada a Curitiba, para onde se mudou no início dos anos 1960 para estudar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Ele completou 80 anos em 2021.

A exposição reúne 166 obras em diversos suportes: pintura, desenhos, fotos, escultura e instalação. A coletânea abrange desde o início da carreira do pintor na capital paranaense até sua fase internacional com a mudança para Paris, em 1986 - passando pelos períodos no Rio de Janeiro, onde se destacou também como ilustrador, cenógrafo para televisão e teatro, figurinista, escultor e cartunista, entre outros ofícios criativos. A curadoria é de Edson Busch Machado.

Lúdica e poética como tudo o que Juarez Machado produz, a mostra percorre com interatividade diferentes décadas, estilos, localidades, materiais, técnicas, mídias e vertentes artísticas”, afirma a diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer (MON), Juliana Vosnika. “Artista com obra no acervo, ele escreve agora o seu nome definitivamente na história do MON, num importante momento em que completa 20 anos e se consolida entre os principais museus da América Latina”, comenta.

CURITIBA – A exposição inclui trabalhos que remetem ao início da carreira de Juarez Machado na Capital. “Seu despertar como artista teve início em Joinville. Mas foi em Curitiba que ele fundamentou esse trabalho antes de seguir pelo mundo”, diz Busch, que é também irmão do artista.

A mostra conta, por exemplo, com desenhos feitos com graxa para sapato na Rua XV de Novembro, no início dos anos 1960, quando Juarez nem sequer tinha recursos para comprar tintas. “O público de Curitiba irá se identificar com o Juarez que viveu em Curitiba de 1961 a 1964, quando também fez grandes amizades com nomes como Fernando Velloso, João Osorio Brzezinski, Fernando Calderari e Domício Pedroso”, lembra o curador.

ATELIÊS – O nome da exposição - uma referência ao clássico de Júlio Verne “A Volta ao Mundo em 80 Dias” - traduz, em parte, o movimento constante de Juarez Machado, que nasceu em Joinville (SC), em 1941, e hoje se divide entre seus ateliês nas capitais fluminense e francesa depois de correr o mundo.

A mostra inclui obras produzidas em diferentes locais - sobretudo em ateliês em Paris, mas também em outros temporários para o artista, como Veneza e Saint Paul de Vence, na França. “Cada ateliê é representado com cores, códigos e uma linha pictórica diferente, que a exposição reúne muito didaticamente”, explica Busch.

INFLUÊNCIA – A obra de Juarez Machado tornou-se patrimônio mundial, colecionando prêmios de arte nacionais e internacionais. Suas criações, ricas em ousadia, complexidade e humor, influenciaram gerações de artistas no Brasil e no Exterior.

Entre os artistas influenciados por Juarez Machado está o diretor francês de cinema Jean-Pierre Jeunet, que se inspirou no inconfundível universo de cores do pintor para criar o visual do famoso filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001). O diretor conheceu o artista no início dos anos 2000, comprou quadros e estudou seu estilo.

 É possível relacionar a temática, as paletas de cores e diversas nuances do filme com todas as pinturas da exposição, pois Jeunet se inspirou diretamente nas obras do artista”, explica Busch. “O público conseguirá identificar cores como o verde veronese e o vermelho terral que são vistos em ‘Amélie’”, explica Busch.

No Brasil, o artista multimídia também deixou sua marca em referências da cultura popular como o semanário impresso “O Pasquim” e na TV Globo, onde criou quadros humorísticos e musicais, além de assinar a criação de cenários e figurinos. Muitos ainda se lembram dos vídeos de mímica que Juarez Machado criou e estrelou para o programa “Fantástico” nos anos 1970.

A exposição fará referência a este famoso personagem nacional com a exibição de alguns desses vídeos em dois monitores. “É realmente uma figura significativa para muita gente que começou a conhecer Juarez a partir deste quadro do ‘Fantástico’”, lembra o curador.

ILUSTRAÇÃO – Também tiveram a assinatura de Juarez Machado capas de livros e discos e projetos de design e arquitetura ao lado de nomes como Sergio Rodrigues e o próprio Oscar Niemeyer.

Algumas das mais de 200 capas de discos e livros criadas pelo artista poderão ser vistas na vitrine de artes gráficas da mostra, que ajudará a compor a retrospectiva da vida e obra de Juarez, juntamente com um painel de fotografias e informações biográficas.

ESCULTURA – Entre os destaques da exposição estão dezenas de esculturas, suporte com o qual Juarez Machado se destacou logo no início da carreira. Há obras em bronze, metal e gesso, além da conhecida instalação criada com estátuas de Branca de Neve e os Sete Anões.

Também estará presente a famosa bicicleta com rodas quadradas que inspirou o logotipo do Instituto Juarez Machado.

INSTITUTO – Mais recente empreendimento de Juarez Machado em Joinville, o instituto que leva seu nome foi fundado por ele em 2014, com a ideia de estimular a arte na cidade catarinense. A instituição, sediada em uma antiga casa da família construída em meados da década de 1930, desenvolve pesquisas, resgate e promoção de obras de Juarez e de outros artistas locais.

O instituto vem desenvolvendo mostras paralelas a partir da aprofundada pesquisa sobre a trajetória de Juarez Machado para a exposição que será aberta no Museu Oscar Niemeyer.

BICICLETA – Segundo o curador da exposição, Edson Busch Machado, a ideia é que o público percorra a mostra como se estivesse fazendo um passeio de bicicleta - um dos ícones do universo pictórico de Juarez. Esse é o tema da projeção de vídeo que encerra a exposição.

Juarez mescla a bicicleta, um elemento da infância em sua cidade natal, com a descoberta da figura humana, seja no estudo da anatomia na Belas Artes ou das belas mulheres que ele tão bem retrata em suas pinturas. E, a partir desses dois elementos, a curadoria parte para suas demais obras”, explica. “É uma viagem de bicicleta que percorre esses 80 anos e relembra todos esses elementos - os ateliês, as paisagens, as mulheres”, explica Busch.

EDUCATIVO – Ao longo do período expositivo, estão previstas seis oficinas para escolas públicas de Curitiba. Também haverá duas visitas mediadas, realizadas pelo curador da exposição para o público visitante, com tradução em libras, conforme o cronograma a seguir:

Oficinas com público espontâneo: dias 8 e 22 junho, das 15h às 17h.

Oficinas com público agendado: dias 6 e 20 de julho: das 15h às 17h.

Oficinas com escola pública: dias 10 e 24 de agosto, das 15h às 17h.

Visitas mediadas ao público espontâneo com o curador, Edson Busch Machado: dia 24 de agosto, às 11h e às 15h.

CATÁLOGO – Em 23 de agosto, às 19h, será lançado ao público o catálogo da exposição contendo texto curatorial, linha do tempo do artista e imagens de obras. O lançamento será marcado por uma mesa redonda no miniauditório do MON com a participação do curador do crítico de arte Fernando Bini.

A exposição “Juarez Machado – Volta ao Mundo em 80 Anos” foi concebida pelo Instituto Juarez Machado e fica em cartaz até 18 de setembro. A mostra é uma realização da Secretaria Especial da Cultura (Ministério do Turismo) e do MON e tem patrocínio da Vonder.

O Museu Oscar Niemeyer está situado na rua Marechal Hermes, Centro Cívico - Curitiba) e está aberto à visitação de terça a domingo, das 10h às 17h30 (permanência até as 18h). Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Toda quarta-feira, entrada gratuita. Mais informações: (41) 3350-4400 ou www.museuoscarniemeyer.org.br