quinta-feira, 26 de julho de 2018

No Teatro do Paiol, samba curitibano homenageia Adoniran Barbosa


O compositor Adoniran Barbosa, falecido há 36 anos, aos 72 de idade, é o homenageado da noite desta sexta-feira (27), no Teatro do Paiol. O grupo Xaxá & Samba Saudade vai desfilar um repertório de primeira linha criado pelo pai do samba paulista e eternizado pelos Demônios da Garoa e por Elis Regina e sua imortal interpretação – com Adoniran – de “Tiro ao Álvaro”. Os ingressos custam R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia).
“Tributo a Adoniran Barbosa” é uma versão atualizada e refinada de um show apresentado pelo grupo em 2016, no Teatro Lala Schneider. De novo à frente do Samba Saudade, o mesmo Xaxá, agora aos 63 anos de idade, sempre com ânimo de principiante. Para quem não sabe, Xaxá, o cidadão Nemésio Xavier de França Filho, é o coronel Xavier que comandou a PM do Paraná de janeiro de 2006 a abril de 2008.
Sua ligação com a música vem desde os tempos do Colégio Estadual do Paraná, nos anos 70, quando deu os primeiros passos na Escolinha de Artes e no coral da escola, com os maestros Mário Garau, Luiz Fernando Melara e Luiz Carlos de Castro. Mais tarde, cantou no coral da Academia do Guatupê, com o maestro Garau, e participou de discos de amigos. Já oficial, sempre que convidado – e estando de folga – emprestava sua voz em aparições na noite curitibana.

O intérprete - Na reserva há dez anos, Xaxá dedica boa parte do seu tempo à música, em particular o samba e, claro, a Adoniran Barbosa – nome artístico de João Rubinato, filho de imigrantes italianos nascido em Valinhos (SP), em 1910. Na São Paulo dos imigrantes e das contradições da metrópole, o mestre construiu interessante carreira como ator de rádio, TV e cinema, e impagável comediante, até assumir o nome de um personagem que criou para eternizar-se como um dos maiores sambistas da MPB. “Ninguém levaria a sério alguém chamado João Rubinato”, dizia o compositor e cantor de voz rouca.
Adoniran é referência como compositor por ter criado obras-primas mesmo sem ter estudado música, sem mesmo tocar algum instrumento”, diz Xaxá. “Ele compunha aqueles sambas maravilhosos na caixinha de fósforos e os Demônios da Garoa e outros músicos tiravam a melodia e faziam os arranjos”.
Outro aspecto ressaltado por Xaxá é a língua portuguesa marginal, vanguardista e notavelmente poética inventada pelo compositor. “Os sambistas em geral, por virem de classes pobres, faziam questão de empregar um português correto, como se vê na obra de Cartola, mas Adoniran seguiu o caminho inverso”, nota Xaxá. “Ele se apropriou, modificou e deu cores ao português dos imigrantes e da gente simples de São Paulo e do Bixiga. Construiu belas e tristes situações como em Saudosa Maloca, e criou personagens ainda vivos na cultura popular, como Iracema e o Arnesto, tudo com aquele português enviesado”.
Com o português de Adoniran na ponta da língua, Xaxá e seu grupo vão apresentar um repertório de 15 canções, todas com arranjos criados por eles. As mais conhecidas estão todas lá, do Tiro ao Álvaro ao Trem das Onze, de Saudosa Maloca à Vila Esperança. “Adoniran é inspirador, genial, fala à alma de todos nós”, ensina Xaxá. “Se nos emocionamos nos ensaios, imagino com a plateia cantando junto”.
O Xaxá & Samba Saudade é formado por Xaxá (voz principal), Rogério Morais (cavaquinho e voz), Nabio Rodrigues (violão sete cordas e voz), Nego Celso (percussão e voz), Tino Guedes (pandeiro e voz) e Arthur Cipriani (percussão e voz).

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