segunda-feira, 22 de abril de 2019

Mesa-redonda discute literatura indígena nesta quarta-feira no Museu Paranaense


A importância da literatura indígena na formação do leitor multicultural, o resgate da identidade, da memória e da ancestralidade, a produção literária e os processos artesanais de manufatura são temas que serão abordados na mesa-redonda “Literatura indígena contemporânea”, nesta quarta-feira (24), às 19h30, no Museu Paranaense (MP). Participam da discussão o pesquisador e mediador de leitura Thiago Corrêa, o artista visual Gustavo Caboco e o produtor gráfico Daniel Barbosa. Em seguida será lançado o livro Baaraz Kawau, de Gustavo Caboco. A entrada é gratuita.
Esta é mais uma atividade do Abril Indígena no Museu Paranaense. “As ações que marcam essa comemoração pretendem, por meio do encontro, aproximar os participantes das crenças e valores das populações indígenas, evidenciando a importância de mudar sem perder a raiz e de preservar essas culturas”, disse a diretora do museu, Gabriela Bettega.

LIVRO - Baaraz Kawau significa “o campo após o fogo” em língua wapichana e não à toa foi escolhido como título da obra de Caboco. A motivação para produzir o livro veio após o recente episódio do incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Em julho de 2018 Caboco foi visitar o museu e se deparou com uma borduna wapichana (arma indígena feita de madeira). O artefato tinha idade muito próxima à de seu tio-avô e ele se questionou sobre a vida daquele corpo-objeto. As chamas que consumiram o museu e boa parte do acervo também destruíram a borduna. Foi quando Caboco sentiu a necessidade de registrar as histórias do seu povo e do tio Casimiro Cadete, que ouvia desde pequeno.
Fez o livro como um ato de preservação da memória indígena wapichana e de reflexão sobre as cinzas por meio da palavra e do desenho. Caboco descende dos wapichana da terra indígena Canauanim, município de Cantá – Boa Vista, Roraima.
Quando olhei essa borduna era mais uma peça do museu, mas, só pela idade, enquanto eu olhava pra ela já pensava no meu tio que viveu até os 92 anos. Pensei na memória que os corpos carregam. A borduna era um corpo indígena e nela existia muita memória. No livro eu faço um paralelo disso, dessa peça que pegou fogo, desse tio que já faleceu. É importante preservar a memória dele”, diz Caboco.
O livro foi todo pensado para ser acessível ao público indígena e não indígena. “É um relato ilustrado”, afirma Caboco, e traz textos em português e em língua wapichana, além de ter o tamanho de 14 x 9,5 cm para ser facilmente transportado, como um livro de bolso.
As 100 unidades da publicação foram produzidas de forma totalmente artesanal, com impressão em serigrafia, e encadernadas à mão pelo Caderno Listrado. O artista comenta que 1/3 das edições será enviada ao Canauanim, terra de origem da mãe de Caboco.

Mais informações: 3304-3300 ou www.museuparanaense.pr.gov.br.

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