Com base em denúncias de que candidatos
e cabos eleitorais têm destruído e danificado obras de arte urbana em Curitiba,
causando um prejuízo inestimável à cultura e à cidade, a Conferência Municipal
Extraordinária de Cultura de Curitiba aprovou moção solicitando ao Tribunal
Regional Eleitoral do Paraná a adoção de medidas especiais para proteger a arte
urbana de Curitiba.
A moção foi entregue na semana passada
ao presidente do TRE, desembargador Edson Luiz Vidal Pinto, e ao desembargador
Ronaldo Guerra, da 145ª zona eleitoral, responsável pela fiscalização da
propaganda eleitoral, pelo presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos
Cordiolli, pelo presidente da Associação dos Artistas Plásticos do Paraná,
Osmar Carboni, e pelo presidente da Comissão de Assuntos Culturais da OAB
Paraná, Luiz Gustavo Vardânega Vidal. Na ocasião ficou acertado que denúncias
poderão ser enviadas à Fundação Cultural, através do e-mail
contato@fcc.curitiba.pr.gov.br, que as encaminhará ao TRE para apuração.
A moção foi proposta pelos
representantes de artistas e grafiteiros na Conferência Municipal
Extraordinária de Cultura e aprovada pela plenária final no último dia 23 de
agosto. A elaboração do documento foi motivada pelas inúmeras denúncias de
depredação de arte urbana, e algumas delas em locais públicos vedados à
propaganda política. Outras são autorizadas por proprietários de imóveis que
recebem pagamento para permitir a propaganda eleitoral.
Participaram da reunião no TRE também o
coordenador de Ações Culturais da FCC Getúlio Guerra, e os artistas grafiteiros
Michael Devis, Luciano Ventura e Leandro Ventura. Segundo os artistas urbanos
presentes à reunião, os danos acontecem em toda a cidade e os prejuízos são
inestimáveis.
Preservação – Na oportunidade, o
desembargador Edson Luiz Vidal Pinto disse que o maior reconhecimento do
trabalho artístico é a sua conservação. “O eleitor deve punir não votando nos
candidatos que danificam os trabalhos artísticos”, afirmou.
Para o presidente da Fundação Cultural,
a destruição das obras de arte urbana é um ataque aos direitos da cidadania
cultural, tanto pelo direito dos artistas quanto da população, que pode
apreciar este tipo de arte em todas as áreas da cidade cotidianamente e
gratuitamente. “Respeitar estas criações é uma maneira de inserir a arte no
cotidiano das pessoas”, disse.
Cordiolli ainda fez um apelo para os
candidatos que, mesmo que tenham autorização dos proprietários dos imóveis para
utilizar espaços com obras de arte urbana, renunciem a fazê-lo, pois a
preservação da arte urbana deve ser uma tarefa de todos. Ele anunciou também
que a Fundação Cultural irá lançar uma campanha de preservação da arte urbana.
O presidente da Associação dos Artistas
Plásticos do Paraná, Osmar Carboni, também pediu que os candidatos fiquem
atentos e não interfiram numa ação cultural que já está posta. “Os murais e os
grafismos fazem parte de um projeto de embelezar a cidade, dando visibilidade
aos artistas paranaenses”, explicou.
“As pessoas têm que compreender que
essas obras têm um valor artístico e são patrimônio de todos. A valorização da
arte urbana é um movimento universal. Mesmo artistas renomados estão levando
sua arte para as ruas, pois essa é uma maneira de sociabilizar a sua produção”,
destacou o presidente da Comissão de Assuntos Culturais da OAB, Luiz Gustavo
Vidal.
Luciano Ventura, um dos grafiteiros
presentes à reunião, disse que considera a atitude dos candidatos um
desrespeito ao trabalho dos artistas urbanos. “Essa é a nossa arte”, enfatizou.
Ele acredita que, com o apoio do TRE e das demais instituições envolvidas, o
comportamento das pessoas pode mudar e a arte urbana será vista “com outros
olhos”. Luciano considerou que as autoridades foram muito receptivas ao apelo dos
artistas. “Eles entenderam o nosso trabalho e consideraram nossa causa
relevante”, afirmou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário